CARTAS DE MÃE E FILHA EM TEMPOS DE QUARENTENA

Dia 73: a minha gratidão gigante aos bons professores

Uma mãe/avó e uma filha/mãe falam de educação. De birras e mal-entendidos, de raivas e perplexidades, mas também dos momentos bons. Para avós e mães, e não só.

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Mãe,

PÚBLICO -
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Hoje quero falar-lhe da minha gratidão gigante aos bons professores.

Os professores que percebem e investem na coisa mais importante de todas: a relação. Para os bons professores não há nada que o Ministério da Educação possa ou não fazer, que interfira no olhar e no abraço (físico ou virtual) que dão aos seus alunos quando entram na sala. No tempo que lhes dão para contar o seu dia-a-dia. Nas emoções que encontram para lá daquilo que a criança tímida ou preocupada é capaz de mostrar num determinado momento.

Os professores que hoje nos últimos zooms se comoveram nas despedidas, que têm saudades dos seus alunos durante o Verão. Que ficam a pensar num ou outro aluno e no que podem fazer para o ajudar. Que se riem em cumplicidade com os miúdos. Que se zangam, sintoma de qualquer relação saudável, mas que sabem pedir desculpa. Que se sentam com eles ao colo. Que sacrificam sem pensar duas vezes horas de almoço para ver como andam “os seus alunos” no recreio. Que estudam para saber mais. Que se interessam pelos assuntos. Que dão feedback aos pais, com detalhes que lhes dizem nas entrelinhas qualquer coisa como: “Não se preocupe que eu conheço o seu filho, eu estou a ver o seu filho!”

E que para lá de tudo isto, e com toda a naturalidade, ainda têm a arte de conseguir passar conhecimento, ensinar uma criança a ler e a escrever, a decifrar os números e a perceber mais sobre o nosso mundo.

Posso falar deles, porque conheço-os! Tive imensos bons professores e agora vejo também as minhas filhas rodeadas destes maravilhosos seres humanos!

Beijinhos!


Ana,

A dívida de gratidão a um bom professor fica connosco a vida inteira. E o melhor desta história é que aqueles que nos marcam são, como tu dizes, aqueles que nos viram com olhos de ver, que não se ficaram pelos rótulos que trazíamos, mas que eram, simultaneamente, profissionais brilhantes, capazes de nos “vender” o conhecimento de uma maneira irresistível.

Quando são professores dos nossos filhos ou dos nossos netos, a gratidão ainda é maior, e o papel que podem ter na família é gigante. Como pais, sobretudo de primeiros filhos, buscamos desesperadamente nos professores um sinal de aprovação exterior, a certificação de que estamos a fazer um bom trabalho, ou seja, a ajudar aquela criança ou adolescente a tornar-se num adulto com pinta. Um professor aliado, e não um inspector que procura falhas nos nossos filhos, basicamente para nos apontar o dedo por tudo o que — na cabeça dele — não fizemos ou fizemos demais.

Não tenho dúvida nenhuma de que o amor que as crianças têm, ou não têm, à escola depende integralmente do ser humano que lhes calha em sorte.

Uf, mas que alívio para todos, a chegada das férias do Verão. Que Setembro nos traga de novo a escola presencial, a bem de todos!


No Birras de Mãe, uma avó/ mãe (e também sogra) e uma mãe/filha, logo de quatro filhos, separadas pela quarentena, vão diariamente escrever-se, para falar dos medos, irritações, perplexidade, raivas, mal-entendidos, mas também da sensação de perfeita comunhão que — ocasionalmente! — as invade. Na esperança de que quem as leia, mãe ou avó, sinta que é de si que falam. Facebook e Instagram

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