Opinião

Casos activos de covid-19: quantos são e onde estão?

Temos agora muito menos casos activos do que quando se iniciou o desconfinamento.

Durante várias semanas, andei como que hipnotizada pela directora-geral da Saúde. Todos os dias, pela hora do almoço, era como se houvesse qualquer coisa que me atraía para a televisão ou para a rádio para ouvir Graça Freitas (na maior parte das vezes) debitar os números mais recentes sobre a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal. Não resistia. Muito pelo contrário. Ouvia atentamente. Foi assim em minha casa enquanto durou a quarentena. 

Depois veio António Costa anunciar o desconfinamento progressivo e pedir-nos que voltássemos a sair. Foi ele próprio para a rua, fazer compras e pôr o pé na areia, para mostrar que era seguro fazer vida fora de casa, obedecendo sempre a certas regras de segurança sanitária. Nessa altura, deixei de me sentir hipnotizada e os casos diários passaram para segundo plano. 

Esta semana, aliás, as conferências de imprensa passaram a realizar-se dia sim dia não, dando uma sensação de normalidade e trazendo alguma paz e descanso a Graça Freitas. 

Só que os números de Lisboa — os tais que políticos e peritos dizem estar sob controlo e suscitar apenas alguma preocupação — voltaram a suscitar-me curiosidade. E agora já não me chega saber quantos infectados há, quantos doentes morreram e quantos recuperaram. O que eu gostava de saber era quantos casos activos há neste momento em Portugal e, se possível, no meu concelho (dispenso descer ao nível da freguesia, como fazem alguns autarcas, porque compreendo o quanto essa informação pode ser sensível no que diz respeito à confidencialidade). 

Bem sei que não acontece isso com nenhuma outra doença. Ninguém sabe onde está activo um surto de gripe ou de varicela quando ele acontece, mas também nenhuma dessas doenças desencadeou uma quarentena que se estendeu por todo o planeta, abrangendo milhares de milhões de pessoas.

O que acabo por fazer é pegar nos dados oficiais e fazer as contas. Ontem, por exemplo, havia 12.227 casos activos em todo o país — o que corresponde a menos 220 do que no dia anterior. Fiz as contas tirando os mortos (1530) e os recuperados (25.376) ao total de infectados que tem vindo a acumular desde Março (39.133). Que utilidade tem saber que já houve mais de 39 mil infectados em Portugal? Para mim, pouca. Utilidade teria saber quantos casos activos havia ontem (12.227), anteontem (12.407), no dia anterior (12.460) e no outro anterior a esse (12.555), há uma semana (12.504) ou mesmo há duas (12.291).

Neste exercício em que recuei duas semanas concluí que temos agora menos casos activos, depois de um período em que piorámos. Contudo, falta ainda saber onde estão ao certo esses casos activos. E essa é uma conta que não consigo fazer porque o único dado revelado concelho a concelho é o total dos infectados. Não sei se onde moro os casos activos estão a subir ou a descer. Alguns autarcas divulgam essa informação à revelia da Direcção-Geral da Saúde, mas outros não o fazem, o que acaba por ser discricionário.

Já agora, no dia em que se iniciou o desconfinamento, a 18 de Maio, havia 21.548 casos activos (mais 9321 do que ontem). Curiosamente, e apesar deste número, sinto que aumentou percepção de que o vírus anda por aí, como disse Marcelo Rebelo de Sousa no último sábado.

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