Portugal em sétimo lugar na qualidade das águas balneares europeias

País ocupa a sétima posição na proporção de praias com águas “excelentes”, entre 22 Estados cujos dados foram analisados pela Agência Europeia do Ambiente. Chipre lidera a lista.

Mais de 90% das praias Portuguesas tem qualidade da água excelente
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Mais de 90% das praias Portuguesas tem qualidade da água excelente Nelson Garrido

A lista europeia de países com maior proporção de águas balneares excelentes - ou seja, com valores de poluição mínimos ou próximos de zero - é liderada pelo Chipre, que tem 99,1% das suas praias com este standard. Portugal, com 91,5%, surge na sétima posição entre 22 Estados, à frente da Espanha (88,4%) e bem acima da média europeia, que está fixada em 84,8%. 

O trabalho de compilação de dados da Agência Europeia do Ambiente revelado esta segunda-feira mostra que Portugal, como os restantes países europeus, tem evoluído bastante na qualidade das respectivas águas balneares, em resultado dos investimentos realizados ao longo de décadas no tratamento dos esgotos domésticos e industriais. A análise inclui informação relativa a 22 países, vinte deles da União Europeia (UE), a que se juntam dados sobre a Suíça e a Albânia.

Logo a seguir ao Chipre, no topo da lista, surgem a Áustria (98,5%), Malta (97,7%), a Grécia (95,7), a Croácia (95,6%), a Alemanha (92,5%), todos com melhores percentagens de águas balneares excelentes, embora em contextos muito diferentes. Enquanto Portugal tem 614 praias monitorizadas, Chipre tem 113, a Áustria, apenas com águas interiores, tem 261, Malta lista 87 e a Grécia avalia 1634. A Croácia tem 988 e a Alemanha 2291. Logo atrás de Portugal nesta lista, a vizinha Espanha tem 2234 áreas balneares sob escrutínio. 

Águas costeiras melhores que as interiores

A Polónia, com um número de praias semelhante ao de Portugal (606), surge na última posição, com 21,6%, mas no relatório é explicado que apenas 187 das suas praias têm várias análises. As restantes, é adiantado, foram recentemente identificadas como águas balneares e ainda não têm amostragens suficientes para serem garantidamente classificadas como excelentes. 

Na verdade, segundo a Agência Europeia do Ambiente, quase todas as 22.295 praias monitorizadas no ano passado (21.981 em países da UE, incluindo o Reino Unido) cumpriam os requisitos mínimos. De 2018 para 2019 houve quebras ligeiras no número de sítios com qualidade “excelente”, patamar que continua a agregar quase 85% das praias analisadas, e mesmo no número de praias com qualidade “suficiente”, que ronda os 95%. A avaliação global permitiu concluir que as águas costeiras continuam a ter muito melhores análises do que as águas interiores, um retrato ao qual Portugal não escapa.

Desde 1991, o país mais do que triplicou o número de áreas balneares identificadas como tal (e sujeitas a avaliações de qualidade da água), conseguindo, ao mesmo, reduzir quer o peso quer a quantidade absoluta de praias com resultados menos bons. Das 614 praias indicadas em 2019 (mais 11 que no ano anterior), 481 eram costeiras e 133 eram interiores. Do total, 562 tiveram análises excelentes, e 31 ficaram-se pelo bom. Seis delas tiveram resultados suficientes e uma registou uma qualidade da água pobre. De salientar ainda que 14 áreas balneares não chegaram a ser classificadas.

Ambientalistas apertam critérios

Entre nós, há vários galardões instituídos para ajudar os banhistas na escolha das suas praias, e para valorizar o esforço dos municípios para as manter limpas. Os portugueses conhecerão melhor a Bandeira Azul (atribuída por uma associação europeia, a ABAE, e que avalia a qualidade da praia, e não apenas a das respectivas águas), que este ano será hasteada em 360 areais, mais oito que no ano passado.

As associações ambientalistas Quercus e Zero costumam fazer as suas próprias listas dedicadas especificamente à qualidade da água, com parâmetros mais apertados do que a avaliação europeia a que acrescentam a exigência de anos sucessivos de bons resultados. A Quercus leva já muitos anos a atribuir a bandeira “Qualidade de Ouro”, que, este ano, vai ser hasteada em 386 praias, 322 delas costeiras, 54 de águas interiores e seis de transição. 

Se na lista da Quercus se destaca o aumento do número de praias interiores, que são mais 14 do que em 2019, um salto de 26%, um dos dados que ressalta da avaliação da Zero, que usa a mesma informação de base mas aperta os critérios para elencar as Praias “Zero Poluição”, é precisamente a ausência de zonas balneares em rios, ribeiras ou lagos. Esta exclusão nada diz sobre a qualidade da água no presente ou em 2019, mas decorre apenas de uma flutuação nas análises em três anos consecutivos. Aliás, com este crivo, a Zero lista apenas 68 praias sem vestígios de poluição, abrangendo apenas 28 municípios do continente, Açores e Madeira. À frente, de longe, surge Torres Vedras, com dez praias.

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