Alojamento Local torna-se “activo tóxico”: novos registos recuam para níveis de 2014

Em Abril foram registadas apenas 189 unidades. Em Março, o número tinha sido de 1021 novos registos

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NELSON GARRIDO

É preciso recuar seis anos, até Setembro de 2014, para encontrar uma dinâmica tão baixa nos números relativos aos novos registos de Alojamento Local (AL). Ao longo do mês de Abril, foram abertas apenas 189 novas unidades, o pior resultado dos últimos 64 meses. Estas novas unidades correspondem à colocação no mercado de 656 novas camas.

Manuel Braga, CEO da Imovendo, a consultora imobiliária que esteve a compilar e a analisar estes dados disponibilizados pelo Turismo de Portugal tem uma explicação para o sucedido: “Hoje em dia o Alojamento Local assume um carácter quase tóxico quando até ao passado mês de Março era encarado como um produto de elevada rentabilidade”.

Uma consulta aos dados divulgados pelo Turismo de Portugal permite perceber que no mês de Março, quando foi declarado em Portugal o estado de emergência, ainda foram registados 1021 novos alojamentos locais, e 3621 novas camas. E nos meses de Abril dos anos anteriores, esses números foram sempre bastante mais elevados: 1214 em 2017, 2310 em 2018 e 1750 em 2019.

“Esta é apenas uma evidência da falta de confiança que os investidores actualmente sentem e que revela também que as expectativas futuras para o Turismo, em geral, e para o AL em particular, são longe de animadoras, mesmo com os programas que algumas câmaras municipais já anunciaram, como é o caso de Porto e Lisboa”, afirma Manuel Braga, CEO da Imovendo, a consultora imobiliária que acaba de divulgar o seu relatório estatístico mensal relativo ao mês de Maio.

Manuel Braga refere-se aos programas Renda Segura e Porto com Sentido, lançados respectivamente pelas Câmaras de Lisboa e do Porto, e que pretendem arrendar fracções que estavam no mercado no regime de Alojamento Local, e usá-las para desenvolver as políticas de habitação municipais, subarrendando-as.

No caso da Câmara do Porto, também foram levantadas as medidas de contenção que agravavam o IMI a pagar pelos projectos que surgissem em áreas delimitadas, como as que estavam definidas para o centro histórico da cidade. 

“Quem apostou no AL procura agora alternativas, como a venda de activos ou a sua colocação no mercado de arrendamento de longa duração. Quem dele dependia para escoar produto reabilitado, vê-se com activos desvalorizados e com menor procura. Quem nele pensava apostar, retrai-se agora, fruto da elevada incerteza e risco que enquadra o sector”, argumenta Manuel Braga.

Resta agora saber até quando se vai manter esta tendência. No mesmo relatório, em que analisa os indicadores referentes ao mês de Abril, já é possível encontrar a melhoria de alguns indicadores que haviam afundado em Março, nomeadamente em termos de procura imobiliária e mais negócios a serem realizados.

“A grande questão que apenas os próximos meses permitirão responder é a de se saber até que ponto a recuperação que aparentemente hoje se vive no mercado imobiliário não resulta apenas de um efeito de ‘válvula de descompressão’ após mais de dois meses de confinamento, sem sustentabilidade ao longo dos próximos meses”, afirmou.

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