Ministro destaca cooperação para criar máscara portuguesa inovadora

Manuel Heitor sublinha cooperação entre empresas, universidades e centros de inovação, a propósito da MOxAd-Tech, uma máscara têxtil antimicrobiana, desenvolvida e fabricada em Portugal. E certificada.

Medicamento
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LUSA/NUNO VEIGA

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, visitou esta segunda-feira a fábrica da Têxtil Adalberto, uma das unidades que está a fabricar uma máscara têxtil antimicrobiana inovadora, desenvolvida em Portugal. A visita do governante procurou demonstrar como a cooperação entre empresas, universidades e centros de inovação pode ajudar a desenvolver soluções inovadoras e a criar valor económico e social.

A máscara MOxAd-Tech foi desenvolvida no âmbito de uma parceria que envolveu a marca de vestuário MO, do grupo Sonae (proprietário do PÚBLICO), a fabricante Adalberto, o centro tecnológico Citeve, o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e a Universidade do Minho.

“Já sabíamos que a ciência cura, mas também previne pandemias, e quando é incorporada em equipamentos destes desenvolvidos por empresas, é importante para facilitar a vida social, sobretudo agora que entramos numa fase de abertura e desconfinamento”, afirmou o governante, citado pela agência Lusa.

De acordo com um comunicado conjunto da Sonae Fashion e da Têxtil Adalberto, “as máscaras MOxAd-Tech apresentam características antimicrobianas, com eficácia comprovada contra vírus e bactérias, estando a sua tecnologia acreditada a nível internacional”.

As empresas adiantam que “o princípio activo já foi testado com sucesso pelo Institut Pasteur de Lille, em França, nomeadamente contra o vírus H1N1 e vírus Corona-type, bem como contra rotavírus”. E acrescentam que “actualmente decorrem testes específicos para a covid-19 no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, em Portugal, sendo que já se encontra certificada como máscara social de nível 2 profissional pelo Citeve”.

Ainda de acordo com as duas entidades, “as máscaras apresentam uma elevada resistência à lavagem, mantendo um nível de eliminação microbiana de perto de 100%, mesmo depois de 50 lavagens domésticas a 30ºC”. No entanto, esclarecem que “a certificação no âmbito de covid-19, pelo Citeve, é actualmente para pelo menos cinco lavagens, aguardando-se a disponibilidade da instituição para testar o produto até às 50 lavagens”.

Em resposta a um pedido do PÚBLICO, a Sonae adianta que “já ajudou mais de 30 mil famílias a estarem protegidas através das máscaras MOcAd-Tech”, mas não revelou o número total de máscaras vendidas a essas famílias. Segundo a Lusa, “a Adalberto já produziu 400 mil máscaras, esperando, em breve, escalar a produção para 500 mil unidades por semana, destinadas essencialmente ao mercado nacional, mas também para exportação”.

Como o PÚBLICO noticiou esta segunda-feira, o Citeve recebeu uma verdadeira avalancha de pedidos de certificação de material de protecção: de 1 de Abril a 15 de Maio, 883 empresas entregaram 5148 amostras, a maioria máscaras. Neste momento há pelo menos mais três laboratórios nacionais, para além do Citeve, a testar máscaras.

A capacidade de resposta da indústria nacional para produzir material de protecção tem sido elevada, de que é exemplo a produção de viseiras por empresas até agora especializadas em moldes ou autoclismos, entre outras.

Notícia actualizada às 20h36, com declaração do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e de dados sobre máscaras produzidas.

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