D. Sebastião volta à fachada do Rossio, mas em réplica

Infra-estruturas de Portugal guardará a estátua destruída “em local seguro” e põe na fachada uma estátua nova.

O nicho está vazio desde 2016
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O nicho está vazio desde 2016 direitos reservados

A Infra-estruturas de Portugal (IP) vai mandar fazer uma réplica da estátua de D. Sebastião para colocar na fachada da Estação do Rossio, em Lisboa. A estátua original, destruída em 2016, vai ser parcialmente colada, mas já não voltará ao exterior da estação, ficando “em lugar seguro” ainda por definir.

Em resposta a uma moção do Partido Popular Monárquico (PPM) na Assembleia Municipal de Lisboa, a empresa pública que gere as estações ferroviárias diz que a estátua ficou num estado que “não permite qualquer hipótese de restauro” e que será feita “a colagem possível dos fragmentos”.

Em Maio de 2016, um homem de 24 anos trepou ao nicho em que se encontrava a estátua para tirar uma selfie. A obra, esculpida por Gabriel Farail em 1891, caiu ao chão e ficou completamente destruída. A notícia correu mundo.

Inicialmente, a IP queria restaurar a estátua partida e devolvê-la à fachada da estação, mas a decisão foi-se alterando ao longo dos últimos quatro anos. Na resposta ao PPM, a empresa refere pela primeira vez “a realização de uma réplica”. Contactada pelo PÚBLICO, a IP confirma que, para além do restauro parcial da estátua original, “está também em preparação outro procedimento para execução de uma réplica, com o apoio da Direcção-Geral do Património Cultural, que será colocada na fachada da Estação do Rossio.”

Argumentando que a estátua de D. Sebastião faz parte “do imaginário cultural e mítico português”, a deputada monárquica Aline Hall de Beuvink apresentou uma moção em Fevereiro de 2018 para que a assembleia municipal perguntasse à IP quando voltaria a figura do desventuroso rei a Lisboa. A resposta da empresa chegou no fim de Março deste ano.

Pelo meio, um grupo de cidadãos fez um protesto na estação e, pouco depois, os vereadores do CDS apresentaram uma moção na câmara pedindo a reposição da estátua “com a maior brevidade possível”. Na ocasião, Fernando Medina discordou da hipótese de se fazer uma réplica, defendendo que “as estátuas são para estar no espaço público na versão original”.

Segundo a IP, foram já contactadas várias empresas para a colagem dos fragmentos da estátua original, prevendo-se que a peça daí resultante fique pronta “dentro de uns meses”. Depois disso “será definida uma nova localização”.

A empresa apresentou queixa-crime contra o turista que se empoleirou na estátua e, segundo a Procuradoria-Geral da República, foi acusado, tendo o caso seguido para julgamento. 

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