“Aqui havia uma estátua”: era D. Sebastião, estava no Rossio, onde andará?

Grupo de cidadãos fez acção de protesto para dizer às entidades que a estátua destruída em 2016 deve voltar ao seu lugar de origem.

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Imagens da acção de terça-feira à noite DR
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Sebastião de Portugal
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O nicho vazio, em 2016 direitos reservados
Estação do Rossio
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O D. Sebatião antes de ser destruído MIGUEL MADEIRA

“Aqui havia uma estátua”, dizia na terça-feira à noite um cartaz colocado na fachada da Estação do Rossio. O nicho central aguarda há quase três anos o regresso do seu D. Sebastião, que até já foi prometido pela Infra-Estruturas de Portugal, mas isso tarda em acontecer e um grupo de pessoas cansou-se de esperar.

“Não faz sentido aquele nicho estar vazio”, explica Rui Mourão, um dos cidadãos que participou na acção de protesto. Além daquele cartaz foram ainda pendurados outros com os dizeres “Reponham a estátua para integridade da fachada” e “Esta fachada é património público”. A iniciativa foi tomada por “um grupo inorgânico”, “uma série de pessoas, muitas delas artistas, atentos ao que se está a passar na cidade”, diz Rui Mourão.

Desde Maio de 2016, momento em que a estátua de D. Sebastião se estatelou no chão por causa de um indivíduo lhe ter subido para cima, que as pessoas deste grupo questionam as autoridades. A Infra-Estruturas de Portugal garantiu ao PÚBLICO em 2017 que ia reparar a estátua e recolocá-la no nicho onde sempre esteve, mas Rui Mourão conta que recebeu uma resposta diferente.

“Ficámos a saber pela resposta deles que a peça ainda não foi restaurada e que a intenção não era repor”, diz. Em vez disso, continua a explicar Rui Mourão, a estátua seria reparada para ser colocada num local a salvo de investidas. “Não nos parece válido o argumento de que uma coisa é tão especial que não pode estar no espaço público”, afirma.

O PÚBLICO questionou a Infra-Estruturas de Portugal sobre este assunto, mas não obteve ainda respostas.

A colocação dos cartazes no Rossio serviu “como chamada de atenção” e para lançar uma petição pública a favor da reposição da estátua. “Foi feita para ser arte pública e é à vista de toda a praça, a embelezar o edifício e a convocar uma memória colectiva num lugar central da cidade de Lisboa, que faz sentido estar. Sem ela o edifício fica artisticamente menorizado e perde parte importante do seu interesse cultural e simbólico”, lê-se no texto.

Apesar de criticarem a empresa estatal responsável pela rede ferroviária, apontam igualmente o dedo à Câmara de Lisboa, que acusam de ser indiferente à situação. “A sua não acção revela displicência, não valorização do património. Não sendo responsabilidade da câmara, bastava uma intervenção mínima do presidente junto da Infra-Estruturas de Portugal para isto ser resolvido”, acredita Rui Mourão.

O D. Sebastião do Rossio foi esculpido por Gabriel Farail em 1891 e não resistiu a uma selfie em 2016. Na resposta ao PÚBLICO em 2017, a Infra-Estruturas de Portugal dizia que a reparação da estátua era “um trabalho exigente”, uma vez que é preciso proceder à “colagem dos fragmentos”. Estava orçamentado em 25 mil euros.

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