Estátua de D. Sebastião da Estação do Rossio, em Lisboa, destruída por jovem

Jovem subiu para o nicho para tirar fotografias e estátua acabou por se partir ao cair ao chão.

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Estátua encontrava-se entre as duas entradas da estação DR
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A estátua do rei D. Sebastião que decora a fachada da estação do Rossio, em Lisboa, foi destruída esta terça-feira. O episódio aconteceu às 23h50 quando um jovem de 24 anos trepou ao local para tirar fotografias. A estátua, uma obra com mais de 125 anos, não aguentou e cedeu, ficando totalmente desfeita. O indíviduo responsável não sofreu quaisquer ferimentos. De passagem pelo local estavam dois agentes da PSP que registaram de imediato o incidente. Para já, ainda não se sabe para quando está marcado o "regresso de D. Sebastião", uma vez que os custos inerentes à sua reparação ainda estão a ser avaliados.

A Infraestruturas de Portugal (IP), empresa responsável pela gestão do património da estação, já anunciou que irá apresentar uma queixa-crime, “que terá como base o valor da estátua assim como o custo de reparação”.

“Infelizmente, os danos ao nosso património acontecem com frequência, mas danos desta dimensão, a uma peça tão valiosa não são comuns”, contextualiza Pedro Ramos, do gabinete de comunicação da IP.

A estátua é da autoria do escultor José Simões de Almeida (tio) e foi inaugurada ao público em 11 de Junho de 1890, aquando da abertura da estação do Rossio. O seu valor e importância prende-se também com o facto de não existirem muitas estátuas de D. Sebastião em espaço público. Registamos duas: em Esposende, assinada por Lagoa Henriques em 1973, o mesmo escultor da famosa estátua do poeta Fernando Pessoa, na Baixa-Chiado, em Lisboa; e em Lagos, cidade que viu partir D. Sebastião em 1578 à conquista de Alcácer-Quibir, na fatal batalha que levou ao desaparecimento do monarca. Na cidade algarvia, a estátua é da autoria de João Cutileiro e data também de 1973.

Segundo a Infraestruturas de Portugal, a estátua estava “em perfeito estado de conservação” e “nunca representou nenhum tipo de risco”, pelo que a hipótese de no futuro a estátua ser, por exemplo, aparafusada à base está afastada. “Não há essa necessidade. O que está errado é as pessoas subirem para a estátua”, justifica.

A PSP já avançou com uma notificação de conhecimento ao Ministério Público, uma vez que a estátua e estação estão classificadas como património nacional, explicou fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa.

Contactada pelo PÚBLICO, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) afirma que "intervirá, como entidade fiscalizadora, no caso do restauro", mas ressalva que o restauro "será da responsabilidade da entidade detentora do edifício, as Infraestruturas de Portugal". Tanto a DGPC como a Infraestruturas de Portugal não se recordam de casos semelhantes. 

Maria de Aires Silveira, curadora de Arte do Museu do Chiado, conta que esta é uma escultura "de um valor inestimável", uma vez que se trata de um "património cultural e artístico único", inserida num ambiente arquitectónico de neo-manuelismo típico da época.

Inaugurada ao público em 11 de Junho de 1890,  a Estação do Rossio foi classificada como Imóvel de Interesse Público, em 1971, sendo considerada como uma das mais belas estações do mundo. 

Notícia actualizada às 18h20: Acrescenta informação