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“Pai de Valentina não é um criminoso. Infelizmente, algo correu mal lá em casa”

Advogado diz que arguido “não é violento”. Ministério Público defende que pai e madrasta de Valentina devem ficar em prisão preventiva. As medidas de coacção apenas serão conhecidas nesta quarta-feira.

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Advogados Nuno Ferreira Santos/Público
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A madrasta de Valentina à saída do tribunal Nuno Ferreira Santos/Público
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Suspeitos chegaram ao Tribunal de Leiria sob vaias e gritos de "assassinos" LUSA/Paulo Cunha
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Madrasta de Valentina foi ouvida durante duas horas Nuno Ferreira Santos/Público
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Madrasta de Valentina Nuno Ferreira Santos/Público

“Sandro Bernardo não é um criminoso. É uma pessoa comum, como nós, e não alguém violento”, argumenta Roberto Rosendo, advogado do pai de Valentina, que foi detido por ser suspeito do seu homicídio juntamente com a madrasta. “Infelizmente, algo correu mal lá em casa. Ele não queria nem previa aquilo que aconteceu. E a minha defesa irá por aí”, acrescentou o advogado. O Ministério Público já defendeu nesta terça-feira, junto do juiz que os ouviu, que o casal deverá ficar em prisão preventiva. A decisão quanto às medidas de coacção será conhecida nesta quarta-feira.

Além de homicídio e de ocultação de cadáver, o progenitor pode ainda vir a responder por um terceiro delito, relacionado com o facto de ter accionado as autoridades, uma vez que apresentou queixa do desaparecimento da menina à GNR sabendo perfeitamente onde ela estava e como lá tinha ido parar. 

A criança de nove anos, encontrada morta no domingo num eucaliptal em Peniche, apresentava várias marcas no corpo, incluindo na cabeça (um traumatismo cranioencefálico), revelou o relatório preliminar da autópsia, segundo o qual tudo resultou de uma única agressão. Segundo o mesmo relatório, havia também sinais de asfixia, porém o osso hióide não estava fracturado.

Apesar de preliminar, o relatório confirma que Valentina teve uma morte violenta por homicídio, com sinais de agressão, o que descarta a alegada tese do pai, que diz que foi um acidente. Acresce que, ao que o PÚBLICO apurou, depois da agressão Valentina foi para o sofá, onde terá estado várias horas. Um dos irmãos tentou chamá-la para brincar, mas ela já não terá reagido.

É convicção da Polícia Judiciária que a menina foi agredida na quarta-feira de manhã e que o seu corpo foi levado, já sem vida, para o eucaliptal horas depois. Ou seja, o pai e a madrasta, os suspeitos de terem cometido o crime, terão esperado que anoitecesse para tirar o corpo de casa.

Foi com estes factos que nesta terça-feira o pai e a madrasta de Valentina foram confrontados no Tribunal de Leiria, aonde chegaram já depois das 10h da manhã, tendo sido insultados pelas dezenas de curiosos que ali decidiram deslocar-se.

Já perante o juiz de instrução criminal, Sandro e Márcia Bernardo decidiram prestar declarações para contar mais uma vez a sua versão dos factos.

A informação foi dada aos jornalistas, já depois das 13h, por uma funcionária judicial do Tribunal de Leiria, que leu um comunicado do juiz e explicou que, “em face do exercício do direito em serem ouvidos que os arguidos já manifestaram, as medidas de coacção serão comunicadas na quarta-feira às 12 horas”.

“Fortemente indiciados”

Sandro e Márcia, que estão “fortemente indiciados” pela morte da criança, foram detidos no domingo, tendo sido apenas presentes nesta terça-feira ao juiz de instrução criminal, porque foi necessário esperar que o relatório preliminar da autópsia estivesse pronto.

Durante a manhã, os suspeitos foram identificados, tendo-lhes sido nomeados advogados oficiosos, que tiveram de ler o processo. Houve depois uma pausa para o almoço, e a sessão foi retomada às 15h com os arguidos a prestarem declarações em separado.

A madrasta de Valentina foi a primeira a prestar declarações. O seu depoimento perante o juiz de instrução demorou cerca de duas horas. Márcia Bernardo saiu do tribunal de instrução criminal por volta das 17h15. 

O pai da vítima foi, entretanto, ouvido durante pouco mais de uma hora, tendo saído pelas 18h35 do tribunal.

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