Facebook lança sistema de videoconferências em grupo

O Facebook anunciou um sistema de videoconferência grátis disponível para o Instagram, WhatsApp e Messenger.

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O Rooms deve ser disponibilizado em todo o mundo nas próximas semanas Reuters/Afolabi Sotunde,Reuters/Afolabi Sotunde

O Facebook vai permitir que grupos com um máximo de 50 pessoas se juntem, em videoconferências no Messenger, Instagram ou WhatsApp, mesmo que não tenham contas nessas plataformas (que são todas detidas pela rede social). Contrariamente a outros serviços do género, como o Zoom, o novo Messenger Rooms não tem qualquer limite de tempo, nem versão paga.

A informação foi avançada pelo próprio Mark Zuckerberg num vídeo em directo publicado na rede social Facebook, esta sexta-feira. “Espero que esta coisa das videoconferências funcione porque vamos estar a fazer isto durante algum tempo”, admitiu Zuckerberg, ao explicar que conversas por vídeos têm substituído muitas das conversas de trabalho da empresa, e conversas entre familiares.

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O Rooms permite trancar a porta Facebook

A proposta do Facebook chega numa altura em que ferramentas de videoconferência como o Zoom, o Skype e o Google Meet se tornam opções populares para manter o contacto com amigos, família e colegas de trabalho. Quem for convidado para um “Room" no Facebook pode entrar através de um computador ou telemóvel, sem precisar de descarregar qualquer programa adicional.

Ainda não se conhece a data de chegada a Portugal. A plataforma apenas diz que o Rooms deve ser disponibilizado em todo o mundo nas próximas semanas.

Consciente dos problemas associados a outras plataformas, o Facebook destacou as ferramentas de segurança na apresentação do Messenger Rooms. “Pode-se criar um ‘quarto’ privado, ou pode-se fazer um quarto aberto a todos os amigos. Mas o link é apresentado a amigos com quem o utilizador mais interage, ou mostra interesse em interagir”, esclareceu Zuckerberg.

 Tal como a Houseparty — uma aplicação que se tornou muito popular no começo do período de isolamento social — o Rooms simula uma festa ou evento no mundo real, em que as pessoas podem entrar facilmente noutras conversas a não ser que um quarto esteja privado para um grupo selecto de utilizadores.

Quando um “Room” é criado, o administrador é que escolhe quem pode entrar e tem a opção de remover alguém da videochamada ou “trancar” a sessão para parar de receber pedidos de entrada.

São funcionalidades idênticas a outros serviços de videoconferência, embora sejam mais fáceis de encontrar na versão do Facebook. Um dos fenómenos que tem sem mais criticado no Zoom, uma das plataformas mais populares para aulas à distância em Portugal é o zoombombing, em que pessoas com más intenções interrompem reuniões públicas na aplicação para transmitir pornografia, imagens violentas ou comentários racistas. Por detrás do zoombombing, estava o facto de muitas conversas na aplicação autorizarem, inicialmente, a entrada de pessoas com um código simples de nove a dez dígitos.

Com isto em mente, a equipa do Facebook explica que os links para os Rooms serão compostos por um conjunto aleatório de caracteres e dígitos que os torna mais difíceis de adivinhar.

Além do Rooms, que vai chegar primeiro ao Messenger, a aplicação de mensagens WhatsApp também vai passar a autorizar conversas entre grupos com oito pessoas, mais quatro que o máximo actual. A diferença face ao Rooms é que não permite criar convites virtuais (na forma de links) para estas conversas.

Pagar por aulas virtuais no Facebook?

Embora o Facebook reforce que o principal objectivo do Rooms, contrariamente ao Zoom ou ao Google Meet, é organizar celebrações, noites de jogos, ou conversas relaxantes entre amigos, a rede social não descarta a hipótese de utilizadores pagarem por alguns eventos virtuais.

Durante a divulgação desta sexta-feira, o Facebook anunciou novos projectos para o Facebook Live, o serviço de vídeos em directo da rede social. “O Facebook está a trabalhar para  que uma página consiga cobrar para uma pessoa ter acesso a um evento com transmissão em directo — desde um concerto a uma aula ou conferência”, lê-se no comunicado da rede social.

Para facilitar o acesso a utilizadores com dados móveis limitados, ou Internet mais lenta, pode-se escolher aceder apenas ao áudio do evento. “Quem está a fazer o directo pode partilhar um número gratuito que permite ouvir uma versão áudio em qualquer telefone”, acrescenta a equipa do Facebook.

O anúncio surge depois de mais de uma centena de artistas portugueses e outras pessoas e entidades ligadas à Cultura subscreveram um manifesto, no qual apelam ao Facebook e à Google para criarem apoios ao sector. Os subscritores recordam que, em resposta ao confinamento social, “muitos artistas e entidades culturais começaram, neste período, a investir de uma forma extraordinária em plataformas como o Facebook ou o Instagram, para ganharem a atenção do público.”

Esta semana, o Facebook também anunciou a possibilidade de jogar videojogos em directo através da plataforma da rede social, um serviço que compete com serviços muito populares entre os jovens como a plataforma Discord ou o Twitch.