Covid-19: hospitais privados disponíveis para mais acordos com seguradoras

Associação Portuguesa dos Hospitais Privados estabeleceu acordo com a Multicare e está disponível para mais acordos com seguradoras que assegurem a despesa dos clientes não referenciados pelo SNS. ADSE vai pagar os testes de diagnóstico da covid-19 a doentes oncológicos e grávidas.

Os doentes com covid-19 encaminhados do público para o privado serão pagos pelo Estado
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Os doentes com covid-19 encaminhados do público para o privado serão pagos pelo Estado Nuno Ferreira Santos

A Associação Portuguesa dos Hospitais Privados (APHP) declarou na quarta-feira estar “disponível para estabelecer” acordos com “seguradoras e subsistemas de saúde” semelhantes ao que assinou com a Multicare, mas não é certo que outras seguradoras acompanhem a iniciativa. O acordo entre a Multicare e a APHP prevê assistência aos seus segurados que recorrerem aos hospitais privados em caso de infecção pelo novo coronavírus, mesmo não tendo sido referenciados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No comunicado enviado à imprensa pela APHP, a associação refere que o acordo com o serviço de saúde da Fidelidade “vem aumentar o acesso dos portugueses a uma oferta diferenciada”, pretendendo satisfazer as necessidades dos segurados e, simultaneamente, aliviar o esforço dos hospitais do SNS. Contactada pelo PÚBLICO, a APHP afirmou que, além do acordo com a Multicare anunciado na quarta-feira, não há, para já, mais nenhum.

O PÚBLICO tentou obter resposta de outros serviços de saúde para perceber se se poderiam esperar outros acordos idênticos. A Médis “não vai seguir a posição manifestada” pela Multicare, esclarecendo que vai “continuar a trabalhar em estreita articulação com a Direcção-Geral de Saúde e o SNS”, entidades a quem reconhece “exclusivamente a responsabilidade de coordenar o combate à pandemia.

A Médis também garante o financiamento dos actos de diagnóstico “sem qualquer custo” para os clientes, “sempre com o critério da prescrição médica e as orientações de utilização definidas pela DGS”.

A posição é partilhada pelo grupo Tranquilidade/Generali, que também não prevê estabelecer um acordo com a APHP, referindo que os testes de diagnóstico à covid-19 já estão cobertos em todas as apólices de saúde.

Esta quinta-feira, o Ministério da Modernização do Estado e Administração anunciou que a ADSE vai passar a comparticipar testes de diagnóstico “aos seus beneficiários que se encontram a realizar tratamentos oncológicos na rede dos prestadores convencionados e às beneficiárias grávidas”. 

“Só os pedidos acompanhados de uma prescrição médica que indique os motivos do teste e, no caso das grávidas, da descrição do respectivo estado de gravidez e razão da prescrição podem ser comparticipados”, explica o ministério liderado por Alexandra Leitão.

Em outros esforços para auxiliar no combate à covid-19, a Médis efectuou também um redimensionamento da linha de apoio 24 horas que tem para os clientes, bem como a disponibilização, sem qualquer custo adicional para os seus segurados, do serviço Médico Online e de um serviço de entrega de medicamentos ao domicílio.

O Grupo Tranquilidade/Generali lembrou ainda que tem disponível um produto destinado a empresas com 20 ou mais colaboradores, para “dar resposta a uma preocupação das empresas, de forma a que estas possam facultar um apoio financeiro imediato aos seus colaboradores”.

As posições das seguradoras surgem depois de, no sábado, ministra da Saúde, Marta Temido, ter esclarecido que o Estado só vai cobrir os custos de tratamento dos doentes infectados com o novo coronavírus nos hospitais privados apenas nos casos encaminhados pelo SNS.

A clarificação surgiu na sequência de uma reportagem emitida pela SIC, em que responsáveis dos grupos Lusíadas Saúde e Luz Saúde admitiam cobrar ao SNS as despesas relacionadas com todos os doentes covid, encaminhados ou não pelo SNS.

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