Grupo CUF reduz camas para covid. Doentes tratados até agora não terão de pagar

Numa nota interna, a que o PÚBLICO teve acesso, o grupo CUF explica que a partir de quarta-feira os doentes que optem pelas suas unidades terão de ter em conta que os actos relacionados com o diagnóstico e tratamento de covid-19 não têm comparticipação do SNS.

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Reuters/RAFAEL MARCHANTE

O grupo privado CUF, da José de Mello Saúde, vai reduzir o número de camas dedicadas aos doentes de covid-19. A decisão acontece depois da ministra da Saúde ter afirmado no sábado que o Estado só pagará os custos dos doentes que sejam enviados pelos hospitais do SNS às unidades privadas que assinarem o protocolo disponível para esse efeito. Numa nota interna, a que o PÚBLICO teve acesso, o grupo CUF explica ainda que não serão cobrados custos aos doentes covid já tratados e em tratamento até agora.

Na nota interna, o grupo começa por explicar que reorganizou os seus serviços desde o dia 23 de Março “para apoiar o Serviço Nacional de Saúde”, em articulação com o Ministério da Saúde e a Direcção-Geral da Saúde, “e num contexto em que se antecipava um crescimento muito significativo de doentes com covid-19”, dedicando 140 camas, das quais 20 nos cuidados intensivos, para estes doentes nos hospitais CUF Infante Santo e CUF Porto.

“Atendendo à posição agora assumida pelo Ministério da Saúde, de que os custos associados aos doentes de covid-19 observados e tratados em hospitais privados não são da responsabilidade do Serviço Nacional de Saúde, a CUF reitera que mantém a sua disponibilidade, nomeadamente com a disponibilização de um total de 48 camas nos hospitais CUF Infante Santo e CUF Porto, para continuar a acompanhar todos os clientes que optem por ser tratados nas suas unidades”, esclarece o grupo.

“No que diz respeito aos doentes já tratados ou em tratamento nas suas unidades, a CUF pode desde já assegurar que estes doentes não serão de forma alguma prejudicados ou impactados em qualquer custo”, lê-se na informação prestada aos trabalhadores. E na qual adianta que dos 283 casos positivos que registaram, “64 doentes estão, ou estiveram, internados” e os restantes foram ou estão a ser acompanhados no domicílio.

O grupo informa ainda que “a partir das 00h00 do dia 15 de Abril (quarta-feira), os doentes que optem pelo tratamento nos hospitais CUF deverão ter em conta que os actos clínicos associados ao diagnóstico e tratamento de doentes com covid-19 não têm comparticipação do SNS”. Os custos “terão de ser assumidos pelos doentes ou pelas seguradoras ou subsistemas que venham a aceitar comparticipar estes custos”. Os valores a cobrar serão os mesmos que o Estado decidiu pagar aos hospitais privados que assinem o acordo para o encaminhamento de doentes do SNS, quando for necessário.

De acordo com o clausulado do acordo proposto pelo Ministério da Saúde, o Estado pagará por um doente covid que seja internado e que não precise de ventilação ou que faça ventilação até 96 horas, 1962 euros. Caso se trate de um doente covid que tenha estado internado e feito mais de 96 horas de ventilação, o valor a pagar será de 12.861 euros. Os valores estipulados pelo Estado dizem respeito a todos os cuidados prestados, desde a fase de referenciação até ao momento da alta por doente.

A CUF adianta ainda que irá aderir a este acordo, caso isso venha a ser solicitado pelas Administrações Regionais de Saúde.

Foi na sequência de uma reportagem emitida pela SIC, em que responsáveis dos grupos Lusíadas Saúde e Luz Saúde admitiam cobrar ao SNS todas as despesas relacionadas com doentes covid-19, independentemente de serem encaminhados pelo SNS ou de se dirigirem por opção própria ao hospital privado, que a ministra Marta Temido veio esclarecer que SNS só vai pagar aos hospitais privados o tratamento dos doentes de covid-19 que forem encaminhados pelos hospitais públicos.

Numa reacção a essas afirmações, o administrador da Lusíadas Saúde, Luís Drummond Borges, afirmou ao PÚBLICO que o acordo agora disponível era diferente do que tinha sido apresentado pela Administração Central do Sistema de Saúde antes da entrada em vigor da fase de mitigação a 26 de Março, que alargou a resposta à pandemia a todo o sistema de saúde.

Na mesma altura o responsável da Lusíadas Saúde também disse que os doentes que já tinham sido tratados nos hospitais do grupo não iam ser prejudicados face à alteração, mas que iam passar a encaminhar para os hospitais públicos os doentes covid que precisem de internamento. Iam também pedir informação sobre os hospitais de referência que deveriam receber os doentes covid que ainda se mantinham internados.

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