Adriano Miranda
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Adriano Miranda

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A todos os super-heróis, o nosso obrigado

Ninguém vos pediu para sair da casa, mas saíram. Bastou-vos ver este olhar para virem em nosso auxílio entre médicos, enfermeiros, professores, polícias, condutores de mercadorias e passageiros, trabalhadores de limpeza, trabalhadores de recolha de resíduos, bombeiros e tantos outros.

Ninguém vos pediu para sair de casa e, no entanto, saíram. Podiam ter optado pelo mais fácil, ficar do lado de lá da porta com os vossos, entre os vossos, entre pais, filhos, irmãos e proteger os vossos na certeza de ver filhos crescer, na certeza de envelhecer, na certeza de viver.

Ninguém vos pediu para sair da casa, mas saíram, bastou-vos ver este olhar onde não cabe uma palavra, muito menos um socorro, para virem em nosso auxílio entre médicos, enfermeiros, professores, polícias, condutores de mercadorias e passageiros, trabalhadores de limpeza, trabalhadores de recolha de resíduos, bombeiros e tantos outros. Alicerces da sociedade, sobre os vossos ombros construímos cidades, não, nações inteiras. E sobre os vossos ombros voámos sempre mais rápido, mais alto, mais forte.

O mundo, tal como o conhecemos, não seria o mesmo sem as vossas mãos e sem as vossas mãos não teríamos saúde, segurança, bem-estar, amizade e amor, cientistas, artistas, pensadores, igualdade e direitos, um futuro, um dedo a apontar para as estrelas, uma criança mais além.

A coragem de sair porta fora todos os dias e todas as noites em prol do outro, de todos os outros, de todos nós, sem saber se não é esta a última vez, o último dia, o último beijo, a última lágrima, o último sorriso, é digna de heróis. Hércules dos tempos modernos, queremos saber todos os vossos nomes e cantá-los para gerações sem fim e com os vossos nomes baptizar ruas, avenidas, cidades, países, outros planetas, outros lares, outras estrelas e assim perpetuar a valentia sem fim de quem escolhe enfrentar o medo todos os dias sem outras armas para além de seringas, luvas, desinfectantes, esfregonas, giz, mangueiras, um volante, disciplina, bom senso, conhecimento, experiência, maturidade.

Nunca como dantes precisámos tanto da vossa ajuda para alimentar uma nação em casa, manter as ruas e as casas limpas, garantir o fornecimento de energia, tratar os doentes, manter a paz em tempo de guerra.

A batalha é global, biológica e auto-imune. As balas, invisíveis, são disparadas para todos os lados e as armas somos nós. Sem cura à vista, nunca é demais repetir o apelo para que fiquemos em casa se queremos quebrar as cadeias de transmissão, isolar o vírus, diminuir o número de doentes e salvar vidas, a começar pelas vidas de quem todos os dias e todas as noites sai para salvar as nossas, para nos salvar de nós mesmos sem pedir nada em troca.

E se vos chamarmos de super-heróis, de imediato recusam este epíteto, este cognome, estão apenas a cumprir o vosso dever, prontamente declinando medalhas e honrarias, assim confirmando a nossa certeza: são mesmo super-heróis. A gratidão pela vossa bravura e dedicação é eterna, é infinita, obrigado, mil vezes obrigado, estamos todos à vossa espera no fim para um longo abraço há muito esperado e talvez este beijo seja a melhor forma de vos agradecer, quando finalmente vos pudermos beijar.

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