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Lanterna de cabeça
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Picar o Ponto: profissões que não podem parar

Deus à beira da estrada

Sem sirenes nem alarmes, os automóveis da PSP circulam devagar. Os polícias usam a força da pedagogia. Da sensibilização. “Vão para casa, por favor.” Mesmo em tempos de isolamento por causa da pandemia do novo coronavírus, há quem não consiga ficar em casa. Nos próximos dias, a crónica fotográfica Picar o Ponto apresenta sete profissões que não podem parar.

São 9h. Na esquadra da PSP, em Aveiro, os agentes percorrem corredores e salas com a distância recomendada. Tudo parece normal. São homens e mulheres treinados para situações limite. De ruptura. De desespero. Várias brigadas dirigem-se para as viaturas de serviço. Irão percorrer as ruas da cidade. Irão dar corpo a a uma excepção sem precedentes – o estado de emergência.

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Sem sirenes nem alarmes, os automóveis da PSP circulam devagar. Pouca gente. O centro da cidade está quase inanimado. Pálido. Um corredor matinal. Um ciclista. Um cão. O paralelo velho da avenida é agora pouco visitado. Um homem fuma sem pressas à porta do seu minimercado. Os agentes conversam. Quando, ao longe, vêem duas pessoas dentro de um automóvel, preparam a guarda, levantam o braço e esticam a palma da mão. Perguntam para onde vão, o que vão fazer. Uns seguem. Outros fazem inversão de marcha. A residência será o caminho. O melhor caminho.

Entram nas padarias. Está tudo a correr bem. O pior é as pessoas manterem a distância. Não é permitido comer ou beber. Só em casa se pode degustar o mil-folhas ou o café. No hospital, as urgências estão calmas. As tendas do INEM têm suspeitos a conta-gotas. Os agentes não se aproximam. Ficam para lá da fita vermelha. A fita que separa o receio da esperança.

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O carro continua a marcha. Devagar. Sempre devagar. As pessoas olham. Quase adivinham uma reprimenda. Aproximamo-nos dos passadiços que rompem a ria. Está sol e o parque de estacionamento cheio. Pessoas, a maioria idosos, fazem a sua caminhada matinal. Uns com máscaras a tapar a boca e o nariz. Outros de cajado. “Vão para casa, por favor.” Os agentes bem se esforçam. “Em casa morro, senhor agente. Sou diabético e tenho um coração novo. O médico manda-me andar.” O carro continua a marcha. Sempre lenta.

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Na EN 109, o trânsito agora é muito menor. Nota-se de dia para dia. As empresas estão a fechar por falta de matéria-prima. São mais de dez agentes. Fazem stop a todas as viaturas. Uns continuam. Outros voltam para trás a contragosto. Uma brigada de homens com fatos brancos lança desinfectante nas ruas. Tudo é quase anormal. Os polícias usam a força da pedagogia. Da sensibilização. Um casal de idosos abre o vidro ainda manual. “Bom dia, o que fazem por aqui?”, pergunta-se. “Vamos levar uma carta à igreja do Reino de Deus, senhor agente.” “Voltem para trás, por favor, e fiquem em casa com Deus.”

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