Plataforma dá resposta aos estudantes e quer alertar as reitorias e o Governo para as dificuldades que estes sentem
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Plataforma dá resposta aos estudantes e quer alertar as reitorias e o Governo para as dificuldades que estes sentem Unsplash

Não consegues pagar propinas? Como será a avaliação? A Quarentena Académica quer dar respostas

Plataforma criada por estudantes pretende dar apoio, recolher queixas e reencaminhá-las às reitorias e ao Governo, “para que estejam a par, falem com os alunos e procurem soluções”.

A Quarentena Académica é uma plataforma de e para estudantes, que nasceu para dar respostas aos jovens do ensino secundário e superior, relativamente às mudanças que a pandemia de covid-19 está a provocar na educação. 

Tudo começou numa conversa de um grupo de amigos de vários pontos do país. André Francisquinho, estudante da licenciatura em Economia, na Universidade Nova de Lisboa, conta ao P3 que começou a falar com alguns colegas sobre os problemas que todo sentiam neste momento nas suas faculdades. Percebendo que eram questões “generalizadas”, decidiram “montar uma plataforma para tentar ajudar": “Para pressionar as faculdades e os ministérios e encontrar soluções.”

O objectivo da Quarentena Académica é responder às dúvidas que chegam à plataforma e dar informação aos estudantes. “Em caso de denúncias, tentamos recolher todas as queixas para as reencaminhar às reitorias, para que estejam a par, falem com os alunos e procurem soluções”, refere André. 

Segundo o jovem, são quatro os principais problemas apontados pelos estudantes de todo o país. A principal preocupação é o pagamento das propinas. “Há alunos cuja situação financeira piorou — pais a serem despedidos ou a trabalharem em layoff, ou os próprios estudantes agora impedidos de trabalhar — e não têm forma de pagar propinas”. 

O não-cumprimento do ensino à distância pelas escolas e faculdades é outro dos problemas mais apontados, bem como o “excesso de trabalho que os docentes atribuem para compensar a falta de aulas ou elementos de avaliação”, algo que “não é positivo, tendo em conta o stress a que os estudantes estão sujeitos”, considera André Francisquinho. Para além disto, a plataforma regista também queixas relacionadas com a incapacidade de aceder a informação e materiais disponíveis nas bibliotecas, que agora estão inacessíveis.

“Estamos a planear fazer um apanhado das denúncias e encaminhá-las para as devidas reitorias”, diz André. “Depois as outras questões, como os exames nacionais e o acesso ao ensino superior, não podemos encaminhar a muitas mais pessoas... Resta-nos pressionar o Governo e as entidades competentes”, sublinha o estudante de Economia.

A plataforma está aberta a qualquer estudante que queira expor um problema e denunciar situações. “Qualquer pessoa pode colaborar, desde que seja do ensino superior ou secundário.” A Quarentena Académica conta já com contributos de 100 estudantes do ensino secundário e ensino superior — licenciaturas, mestrados e doutoramentos —, principalmente das zonas de Lisboa, Porto, Minho e Algarve.

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