Ponte de Lima faz apelo em vídeo: “Agora, ser corajoso é ficar em casa”

“O nosso rio está mais cristalino. E as estrelas brilham mais do que nunca”, ouve-se ao mesmo tempo que sobrevoamos as ruelas de Ponte de Lima.

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Ponte de Lima no vídeo

“O que é que se está a passar lá fora? É silencioso, não tem cheiro e nem tem cor. Não se vê e nem se sente. Confunde todos os nossos sentidos.” A inocente voz de uma criança é acompanhada por imagens de Ponte de Lima deserta. Em vésperas de Páscoa, a Câmara Municipal partilhou no seu Facebook o vídeo “Ponte de Lima: a história que ninguém me contou!” com uma mensagem de esperança. “Pode haver sempre um final feliz”. Mas “agora, ser corajoso é ficar em casa”.

A ponte velha, a réplica do barco Água-Arriba, o chafariz no Largo de Camões, as estátuas de bronze e a Vaca das Cordas junto à Igreja Matriz. A vila está vazia. “O nosso rio está mais cristalino. E as estrelas brilham mais do que nunca”, ouve-se ao mesmo tempo que sobrevoamos as ruelas de Ponte de Lima. “O segredo da liberdade é a coragem (como a coragem de Brutus e seus soldados na passagem do rio Lethes)”, continua o vídeo, que por momentos se detém junto ao busto do Conde de Bertiandos, nas urgências do Hospital. “Com os limianos, aprendi que nas histórias reais também há heróis.”

Com 12 casos de covid-19 confirmados no concelho, o município intensificou os alertas também nas redes sociais. O próprio Victor Mendes, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, agradeceu o “comportamento exemplar e profundamente responsável” dos munícipes, apelando a que todos fiquem em casa durante a época tradicionalmente festiva.

“O período da Páscoa, que se aproxima, costuma felizmente ser sinónimo, nesta nossa terra, de alargado convívio entre familiares e amigos. É uma época que ajuda a cimentar as relações humanas. Mas, por muito que isso nos custe, a Páscoa deste ano terá forçosamente que ser diferente, sem cerimónias religiosas nem Compasso Pascal. Não podemos colocar em causa o esforço e os sacrifícios feitos até aqui. Triste ironia a destes tempos, em que o afastamento aos nossos entes mais queridos é a melhor prova de que os amamos!