Covid-19: reumatologistas pedem que se limite o acesso à hidroxicloroquina

Especialistas temem ruptura de stock e pedem que se limite o acesso ao medicamento.

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Medicamento é usado no tratamento de várias doenças como o lúpus Reuters/LINDSEY WASSON

O Colégio de Reumatologia da Ordem dos Médicos (CEROM) e a Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) apelam a um bloqueio temporário da venda da hidroxicloroquina. Os especialistas temem a ruptura de stock e pedem que o medicamento apenas seja vendido a quem já fazia tratamento.

O comunicado conjunto, enviado às redacções, surge na sequência das informações divulgadas nos “órgãos de comunicação social” que dão conta de que a hidroxicloroquina é uma “potencial hipótese terapêutica” para a covid-19.

A hidroxicloroquina é actualmente usada no tratamento de doenças reumáticas inflamatórias sistémicas, como o lúpus, a síndrome de Sjögren, a artrite reumatóide, entre outras. “A manutenção regular da medicação é essencial para que não se verifiquem agudizações da doença subjacente, pelo que deverá ser garantido a estes doentes o acesso a esta terapêutica”, pode ler-se no comunicado.

Neste sentido, e de forma a evitar uma possível “ruptura de stock deste medicamento, o CEROM e a SPR pedem que se bloqueie “temporariamente a disponibilização da hidroxicloroquina na farmácia comunitária a doentes que não o faziam anteriormente”. Mesmo para quem tem receita, e já usava o medicamento, é pedido que se dispense “a cada doente o número de embalagens ajustadas para esta situação temporal e os constrangimentos da regra do isolamento social”.

No final de Março, ao PÚBLICO, o Infarmed confirmou que estava a ser estudado o alargamento da aplicação deste medicamento – já autorizou três pedidos de utilização –, ainda que o estudo esteja, para já, numa fase de “procura de provas científicas relativamente à eficácia da substância”. Já no início de Abril, a Agência Europeia do Medicamento, também em comunicado, explicou que a hidroxicloroquina, no contexto da covid-19, deveria ser limitada ao contexto de “ensaios clínicos” ou de “protocolos nacionais válidos”.

Nos Estados Unidos, primeiro, e no Brasil, depois, ambas com base no optimismo dos respectivos Presidentes, já houve uma corrida às farmácias, esgotando a hidroxicloroquina em vários estabelecimentos. Jair Bolsonaro nem se limitou às palavras: apostou no poder da imagem, mostrando uma caixa deste fármaco numa reunião do G-20, e no poder das acções, requerendo que o laboratório militar brasileiro começasse a produção do medicamento.

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