Covid-19: OMS volta a dizer não ao uso generalizado de máscaras

NOTA: NOTÍCIA DE 7 DE ABRIL DE 2020.
Alguns países começaram a tornar obrigatório a utilização de máscaras, mas, esta segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde emitiu novo parecer em que reforça que só devem ser usadas por alguns grupos específicos. Em Portugal, a DGS continua alinhada com as recomendações da OMS.

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A OMS continua a não recomendar a utilização alargada de máscaras Reuters/DAVID MERCADO

NOTA: Notícia de 7 de Abril de 2020. Como estava prometido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a avaliar as recomendações sobre o uso generalizado das máscaras de protecção individual. E concluiu: as máscaras continuam a estar recomendadas apenas para certos grupos específicos – doentes infectados com o SARS-Cov-2, pessoas com sintomas, cuidadores ou profissionais de saúde.

A questão tem sido muito debatida nas últimas semanas, mas ainda não foi alcançado um consenso. Alguns países e governos têm tornado obrigatório o uso de máscaras de protecção individual em locais públicos. E alguns estudos já publicados sugerem mesmo que, ao contrário do que indicavam outras investigações, as gotículas projectadas por alguém que tosse podem alcançar vários metros de distância. Na prática, este tipo de informações poderia fazer com que as autoridades de Saúde reavaliassem a utilização das máscaras pela população em geral por uma questão de protecção (e não tanto como medida de prevenção).

Ainda assim, e segundo o parecer divulgado esta segunda-feira, a recomendação da OMS é clara: “Há provas limitadas de que o uso de máscaras por indivíduos saudáveis nas suas casas, em contacto com pacientes infectados ou com pessoas que participaram em eventos com muita gente possa ser benéfico como medida preventiva.”

A OMS exclui ainda um cenário em que as máscaras sejam usadas de forma universal. E justifica: “Não existe, até ao momento, prova científica de que usar uma máscara (seja cirúrgica ou de outro tipo) por pessoas saudáveis [ou seja, não infectadas e sem sintomas], possa impedir a infecção por vírus respiratórios, incluindo pela covid-19.”

A entidade máxima da Saúde admite, como já o tinha feito, que o uso de uma máscara é uma das medidas de prevenção que pode evitar a propagação de cercas doenças virais respiratórias, em que se inclui a covid-19. Ainda assim, como medida única, e sem estar aliada ao reforço dos cuidados de higiene e da etiqueta respiratória, a utilização de uma máscara é “insuficiente para fornecer um nível adequado de protecção”. 

Recomendações para pessoas sintomáticas

De acordo com o novo parecer da Organização Mundial de Saúde, as pessoas sintomáticas devem:

Pacientes infectados ou com sintomas ligeiros que estão em casa

Alguns pacientes a quem já foi diagnosticado o novo coronavírus e cujos sintomas são leves podem também estar a receber tratamento médico em casa.

Nesses casos, a OMS — que esclarece que estes doentes devem ser constantemente seguidos pelas autoridades no caso da doença se agravar — recomenda o isolamento total (incluindo uma distância de pelo menos um metro de outras pessoas que possam estar a viver no mesmo espaço), a prática reforçada da higiene das mãos e o uso de uma máscara sempre que possível, objecto que deve ser trocado pelo menos uma vez por dia.

Recomenda-se também que os cidadãos evitem contaminar superfícies comuns com saliva, catarro ou secreções respiratórias e que melhorem o fluxo de oxigénio dos espaços, abrindo portas e janelas sempre que possível.

Cuidadores ou pessoas que partilham espaços com alguém infectado ou com sintomas

Para os cuidadores de pessoas que tenham sido diagnosticadas com o vírus, como funcionários de lares ou pessoas que estejam a realizar assistência médica a um doente em casa, a OMS recomenda:

  • que seja reforçada a rotina de higiene das mãos;
  • que se mantenha uma distância de pelo menos um metro em relação ao doente;
  • e que se utilize uma máscara quando estiver na mesma divisão que a pessoa infectada.

Este grupo deve ainda melhorar a oxigenação dos espaços, além de descartar qualquer material contaminado com substâncias respiratórias e fazer, logo de seguida, uma higiene reforçada das mãos.

Profissionais de saúde

No caso dos profissionais de saúde, a OMS aconselha que utilizem uma máscara cirúrgica ao entrar num espaço onde estejam doentes infectados.

Além disso, quando estiverem a realizar procedimentos como a entubação (ou outros) a pacientes infectados, a autoridade da Saúde afirma que estes trabalhadores devem utilizar, pelo menos, as máscaras ajustáveis – como as N95 – que conseguem oferecer uma boa protecção, mas não total, contra gotículas infecciosas, e outro material de protecção individual que esteja disponível.

A organização emitiu ainda um guia exclusivamente dedicado aos cuidados que os profissionais de saúde devem ter e que está disponível aqui.

O que recomenda a OMS à população em geral?

Para os cidadãos que não estão infectados ou que não têm contacto algum com doentes diagnosticados com o novo coronavírus, a Organização Mundial de Saúde recomenda:

  • evitar grande grupos de pessoas e espaços fechados e sobrelotados;
  • manter a distância física de pelo menos um metro de pessoas infectadas ou com sintomas;
  • não tocar na boca, nariz e olhos.​

A população em geral deve ter ainda atenção à sua etiqueta respiratória e de higiene: quando espirrar, é importante cobrir o nariz e a boca com o braço, papel ou tecido que depois deve ser descartado e realizar uma higiene completa de lavagem das mãos.

“Em alguns países, as máscaras estão a ser recomendadas pelas autoridades nacionais no contexto da covid-19. Nessas situações, devem ser seguidas as melhores práticas sobre como usar, retirar e descartar este tipo de material”, pode ler-se no parecer emitido esta segunda-feira.

As notas da OMS para governos e autoridades de Saúde

Ainda que a Organização Mundial de Saúde não recomende o uso generalizado de máscaras, reconhece que há países que têm tomado este tipo de decisão. Aos governos e autoridades de Saúde, a OMS pede que considerem e esclareçam algumas variáveis sobre a utilização de máscaras.

Para a OMS, a justificação do uso deste objecto deve ser claro: se é para ser usado como forma de controlo de infecção (usado por pessoas infectadas) ou como forma de prevenção (pela população em geral). Além disso, as autoridades devem esclarecer o tipo de máscara a ser usado por cada grupo, mas também se há ou não disponibilidade deste recurso no mercado (e quais seriam os seus custos).

No caso português, ainda esta segunda-feira, em conferência de imprensa, Graça Freitas, directora-geral da Saúde, garantiu que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) continua alinhada com a OMS nesta questão.

Por outro lado, no domingo, a ministra da Saúde anunciou, em entrevista à RTP1, que a DGS pediu um parecer sobre o uso generalizado de máscaras para evitar a propagação da covid-19, tendo sido aconselhada a equacionar a medida. A ministra não adiantou se a recomendação será adoptada, mas admitiu que os responsáveis pelas decisões têm de se adaptar e ter uma dinâmica muito rápida perante as novas provas que vão surgindo.