Covid-19: serviços de saúde vão ter o dobro dos ventiladores

Há 1042 pessoas internadas em hospitais e 240 estão em cuidados intensivos. Secretário de Estado da Saúde garantiu esta quinta-feira que está a ser reforçada a capacidade de ventilação e de realização de testes.

Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São João, no Porto
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Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São João, no Porto Nelson Garrido

O secretário de Estado da Saúde anunciou esta quinta-feira, na conferência de balanço ao boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que Portugal irá duplicar a capacidade de ventilação. António Lacerda Sales alertou para o facto de os ventiladores serem necessários para garantir a sobrevivência dos pacientes em estado grave, internados em unidades de cuidados intensivos, detalhando de onde virão os aparelhos que passarão a equipar os hospitais portugueses. 

“Entre ofertas, compras e empréstimos, estaremos em condições de duplicar a nossa capacidade de ventilação. Foram oferecidos 400 ventiladores invasivos por diversas entidades, muitos dos quais já chegaram aos hospitais, outros com previsões de entrega muito em breve. Recebemos 140 ventiladores não invasivos cedidos a título de empréstimo. Para além disso, foram adquiridos cerca de 900 pela administração central do sistema de saúde, algum dos quais também já em Portugal. [Destes] 144 chegam esta semana ao nosso país”, explicou o secretário de Estado da Saúde. 

De acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pela DGS, há 240 pessoas em unidades de cuidados intensivos. O boletim epidemiológico mostra ainda a existência de mais de nove mil casos de covid-19, dos quais 1042 requerem internamento. A taxa de letalidade global do vírus é de 2,3%, mas este número dispara para os 9,2% nas pessoas acima dos 70 anos. 

O coordenador da DGS para a área dos cuidados intensivos, João Gouveia, adiantou que estes ventiladores serão distribuídos pelos diferentes hospitais, obedecendo a certos critérios “para que os doentes sejam tratados da melhor maneira possível”.

Para além do incremento na capacidade de ventilação, o secretário de Estado da Saúde reiterou a intenção de aumentar o número de testes realizados no país, avançando que o Governo já encomendou material que facilitará a concretização deste objectivo.

“Hoje mesmo [quinta-feira] serão distribuídas seis mil zaragatoas. Estão ainda encomendadas 400 mil zaragatoas, das quais 80 mil chegam amanhã [sexta-feira] e as restantes com entregas previstas nas próximas semanas e que farão face aos constrangimentos da elevada procura. Para além disso, na próxima semana chegam mais 200 mil testes a Portugal”, explicou António Lacerda Sales.

Ainda nesta conferência de imprensa, foi deixada a garantia de que todos os cidadãos serão abrangidos pelos cuidados de saúde, com António Lacerda Sales a vincar que a franja da população mais vulnerável terá acesso a um médico de família para agilizar a obtenção dos tratamentos médicos necessários.

“Embora, do ponto de vista formal, possa existir alguma situação pontual, não haverá ninguém sem médico de família. Mesmo faixas mais vulneráveis — como migrantes ou refugiados — vão ficar abrangidos por esta situação e todos terão direito a assistência e a médico de família”, concluiu o secretário de Estado da Saúde. 

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