Coronavírus: Portugal tem 100 mortes e mais de 5000 pessoas infectadas

O mais recente boletim divulgado pela Direcção-Geral da Saúde dá conta de um aumento do número de mortes e do número total de infectados em relação ao balanço desta sexta-feira. A região Norte é a que tem mais mortes e mais casos de infecção.

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Acções de limpeza em Lisboa Nuno Ferreira Santos

As infecções pelo novo coronavírus já mataram 100 pessoas em Portugal, um acréscimo de 24 óbitos em relação a sexta-feira. De acordo com o boletim da Direcção-Geral da Saúde, emitido este sábado, o país conta com 5170 casos positivos, de um total de 32.754 casos suspeitos registados desde o dia 2 de Março. Mantém-se o número de doentes recuperados: 43.

“Temos mais 902 casos positivos do que ontem [sexta-feira], o que corresponde a um crescimento de 21% de casos confirmados”, afirmou a ministra da Saúde na conferência de imprensa deste sábado. No balanço que fez, Marta Temido destacou que a taxa de letalidade total é de 1,9%, mas “atendendo à faixa etária em que estes óbitos se localizam, sobretudo nos maiores de 70 anos, temos uma taxa de letalidade nos maiores de que é de 7,9%”. Do total de mortes registadas, 79 foram em pessoas com mais de 70 anos. E destas, 58 tinham mais de 80 anos. É nos homens que se regista a maior mortalidade.

De acordo com o relatório, estão internados 418 pacientes, dos quais 89 estão em unidades de cuidados intensivos (mais 18 do que no dia anterior). “Mantemos cerca de 89% dos casos confirmados em domicílio”, salientou a ministra, que explicou que o boletim deixou de ter o registo de casos estrangeiros por estes terem sido encaminhados para as suas regiões.

O problema do Grande Porto

O Norte continua a ser a região do país com mais casos confirmados: 3035, o que representa um aumento de 592 positivos em 24 horas (mais 24,2%). Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo, com 1287 casos (mais 177, o que representa um acréscimo de 15,9%). A região Centro conta com 647 casos positivos (mais 127, o que significa uma subida de 24,4%). O Algarve com 106 casos, tem mais sete do que no dia anterior e o Alentejo com 34 doentes confirmados, teve um acréscimo de quatro caso positivos nas últimas 24 horas.

A Madeira e os Açores são as duas regiões do país com menos casos confirmados: 31 e 30, respectivamente. O que representa um aumento de dez casos na Madeira e seis nos Açores em relação a sexta-feira. Nos arquipélagos não se registam mortes, assim como no Alentejo. O Algarve mantém um óbito registado.

Foi nas regiões do Norte e Centro que o número de mortes mais cresceu nas últimas 24 horas. Na primeira, um aumento de 11, passando agora a registar 44 óbitos, e na segunda um aumento de dez, para 28 mortes. Lisboa e Vale do Tejo tem agora 27 óbitos contabilizados, mais três do que no dia anterior.

Quanto à caracterização demográfica dos casos confirmados, Lisboa é agora o concelho com mais casos positivos: 366 (na véspera estavam registados 284). Segue-se o Porto com 343, Vila Nova de Gaia com 262 (informação reportada pela Administração Regional de Saúde, assinala o relatório), Maia com 219 e Matosinhos com 189 casos confirmados. Logo abaixo estão os concelhos de Gondomar e Braga, com 153 e 152 casos respectivamente.

Os autarcas e a Protecção Civil da região pediram mão mais dura para assegurar que a população cumpre as medidas impostas pelas autoridades de saúde e pelo Governo, de limitação de circulação e de isolamento social.

Pico no final de Maio

Marta Temido explicou que de acordo com os dados que dispõem “a incidência máxima da infecção foi adiada para o final de Maio”. “Indicia que medidas de contenção estão a ser efectivas”, salientou a ministra, reforçando que a situação coloca “uma enorme pressão sobre sistema de saúde e sobre todos nós”, que “temos de fazer tudo para enfrentar o melhor possível o que nos espera”.

A directora-geral da Saúde reforçou o que a ministra disse: “Tudo indica que as medidas de contenção social e o encerramento escolas estão a abrandar curva”, destacando que “o número de casos provavelmente será em cada semana superior ao calculado, mas ainda de forma controlada.

Este sábado Graça Freitas voltou a referir o comportamento que se espera e que tem sido registado também noutros países onde a pandemia está numa fase mais avançada: “O pico vai ser um planalto com um número de casos mais ou menos semelhantes durante vários dias.”

Explicou que os peritos já conseguem fazer projecções de casos a uma semana, “o que é importante para planear e prever o impacto” da doença, e que o que os matemáticos fazem “é ajustar todos os dias a realidade e a curva” epidémica. “Estes mecanismos são importantes para ver o tipo de recursos que é preciso acertar para a oferta de cuidados”, referiu.

Milhões de máscaras para distribuir

A ministra assegurou que o SNS “está a responder” e a melhorar a sua preparação, nomeadamente com a distribuição de mais equipamentos de protecção individual. “Ontem [sexta-feira] de manhã aterrou um voo que trouxe 4 milhões de máscaras cirúrgicas, compradas pelos nossos serviços centrais, e 2 milhões máscaras cirúrgicas compradas pelos hospitais e entidades do sector da saúde. Trouxe ainda fatos cobre-botas e viseiras em quantidades mais reduzidas. À noite aterrou um outro avião, que trouxe mais 1,1 milhões máscaras FFP2 (com respiradores) e 550 mil máscaras FFP2 de uma doação e 1,2 mil máscaras cirurgias”, enumerou e agradecendo aos doadores. Chegaram também 60 mil testes e receberam a doação de várias zaragatoas.

Sandra Cavaca, vogal dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde – entidade que a par do Infarmed estão a gerir a compra centralizada de equipamentos -, adiantou que na próxima segunda e terça-feira vão chegar mais carregamentos da China, que “terão 200 mil testes para reforçar o stock, respiradores e máscaras cirurgias, toucas, luvas, fatos”. “Na terça-feira chegarão 100 toneladas equipamentos de protecção individual só para o SNS.”

Rui Ivo, presidente do Infarmed, adiantou que “graças à disponibilidade da indústria nacional” tem sido possível reforçar a capacidade de equipamentos. “Já temos entidades disponíveis para produzir zaragatoas, fatos, viseiras e máscaras”, disse, referindo que a reserva central vai também “incluir alguns medicamentos experimentais” que estão a ser usados no tratamento da covid-19.

40 mil testes desde o início do mês

De acordo com Marta Temido, Portugal realizou “cerca de 40 mil testes entre 1 Março e 21 Março”. Sobre o total de testes já efectuados, a ministra explicou que “não tínhamos a informação a ser colhida automaticamente e com fiabilidade e por isso ainda não partilhámos com a comunidade em geral e com a comunidade científica”. “Estamos a trabalhar no sentido de tornar a informação cada vez mais fiável e estamos a recolher informação de vários pontos do sistema.”

Desde quinta-feira passada que os critérios de caso suspeito foram alargados, aumentando assim o número de pessoas que podem ser testadas. A ministra reconheceu que têm tido o “reporte que algumas pessoas foram enviadas para casa e foi foi-lhes recomendado que voltassem mais tarde, porque no momento não havia zaragatoas ou reagentes”. Reforçando que a regra é testar, a ministra lembrou que existem prioridades estabelecidas para quando não é possível testar todos os casos suspeitos.

Até ao momento, a Direcção-Geral da Saúde recebeu 754 notificações de profissionais de saúde com diagnóstico positivo. Graça Freitas explicou que estarão em “diferentes níveis de evolução” e que poderão já existir casos de profissionais recuperados. “A maior parte estará a fazer tratamento domicílio”, acrescentou.

Marta Temido admitiu que “o maior desafio” vão ser as unidades de cuidados continuados e os lares, onde estão os doentes de maior risco”. “Precisamos da disponibilidade de voluntários com competências técnicas, para quando não existam soluções dentro das equipas e seja preciso fazer a substituição de cuidadores por estarem infectados ou de quarentena”, referiu, adiantando que vão ser emitidas novas normas para as populações mais fragilizadas.

A ministra assumiu também que está preocupada com os restantes doentes que o SNS tem de acompanhar. Lembrando o decréscimo registado na procura de urgências, Marta Temido referiu que “há a percepção que muita da procura que não aconteceu poderá corresponder a situações em que foi possível encontrar uma resposta por vias alternativas como as consultas telefónicas ou nos centros de saúde”.

“Mas também temos que podem estar a retardar a procura de cuidados. Estamos a fazer a identificação clara de casos da actividade suspensa para podermos encaminhar para hospitais limpos. Estamos também a trabalhar com as várias autoridades de saúde bem como com os colégios da especialidade [da Ordem dos Médicos] na identificação das circunstâncias mais prementes”, disse a ministra.