Rendas fecham 2019 a subir 10,8% e INE já antevê inversão da tendência

Instituto Nacional de Estatística divulgou as rendas medianas praticadas no segmento habitacional referentes ao último semestre de 2019, lembrando que os efeitos da pandemia já se vão verificar no próximo boletim.

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Adriano Miranda / Publico

“No segundo semestre de 2019 (últimos 12 meses), o valor mediano das rendas dos 72.788 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares em Portugal atingiu 5,32 euros por metro quadrado (€/m2), aumentando 10,8% face ao período homólogo”. É assim que o Instituto Nacional de Estatística arranca o seu boletim semestral onde analisa o mercado de arrendamento habitacional, referindo-se a subidas. Mas, recorda de imediato, no texto do mesmo destaque, que a informação agora divulgada “não reflecte ainda a situação actual determinada pela pandemia covid-19”.

“É de esperar que as tendências aqui analisadas se alterem substancialmente”, admite o INE, antevendo uma inversão na tendência de subida que o preço das rendas tem vindo a demonstrar nos últimos anos. “De qualquer modo, a informação hoje disponibilizada é útil para estabelecer uma referência para avaliar desenvolvimentos futuros”, escreve o INE.

Esta subida homóloga de 10,8% deverá, então, encerrar o ciclo de subidas - no semestre anterior, isto é, no período compreendido entre Janeiro e Junho de 2019, essa taxa tinha sido de 9,2%. No segundo semestre, a taxa de variação aumentou mas, nota o INE, registou-se uma diminuição de 6,4% no número de novos contratos celebrados relativamente ao mesmo período do ano anterior. No semestre anterior, o número de contratos tinha caído ainda de forma mais expressiva, 10,5%.

Para memória futura, registe-se então o preço por metro quadrado praticado no semestre antes da eclosão da pandemia: o valor das rendas situou-se acima do valor nacional nas sub-regiões Área Metropolitana de Lisboa (8,07 €/m2), Algarve (6,25 €/m2), Região Autónoma da Madeira (5,99 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (5,75 €/m2). 

O INE admite que o impacto da pandemia está a trazer “alguma perturbação” na obtenção de informação primária que é tão importante para a produção de estatísticas. Ainda assim, vai tentar manter o calendário de produção e divulgação, e por esse motivo apela “à melhor colaboração das empresas, das famílias e das entidades públicas” na resposta às solicitações do INE, utilizando a Internet e o telefone como canais alternativos aos contactos presenciais.

“Na verdade a qualidade das estatísticas oficiais, particularmente a sua capacidade para identificar os impactos da pandemia covid-19, depende crucialmente dessa colaboração que o INE antecipadamente agradece”, escreve o instituto de estatística.