Coronavírus: China acusa Espanha de ter comprado testes defeituosos a empresa sem licença

Embaixada chinesa em Espanha diz que Governo espanhol teve acesso a lista com empresas confiáveis, mas escolheu outra fornecedora. Testes adquiridos à Bioeasy serão devolvidos.

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Fotografia de arquivo de teste ao coronavírus EPA/ROBIN VAN LONKHUIJSEN

Depois de o Governo espanhol ter anunciado que iria devolver à China 640 mil testes rápidos defeituosos, a embaixada chinesa em Espanha diz que a empresa que forneceu os kits não está licenciada para a produção destes produtos.

Na conta de Twitter, a embaixada garante que o Ministério do Comércio chinês enviou ao Ministério da Saúde espanhol “uma lista de recomendações com os produtores licenciados”. Nessa lista, não se encontraria a empresa Bioeasy,  com sede em Shenzhen, à qual o Governo espanhol adquiriu 640 mil testes rápidos à covid-19. A embaixada chega mesmo a afirmar que a Bioeasy não possui “a licença oficial da Administração Nacional de Produtos Médicos da China” para comercializar os seus produtos. Portugal não encomendou destes testes, como noticiou o PÚBLICO.

O El País noticiou esta quinta-feira que estes testes apresentavam problemas de eficácia, registando falsos positivos. Assim o comprovaram vários laboratórios de microbiologia de grandes hospitais nas análises que fizeram aos kits chegados recentemente de Espanha”, lê-se no jornal espanhol, que cita uma fonte que pede anonimato: “Não se detectam os casos positivos como seria de esperar.”

Estes testes têm uma sensibilidade de 30%, quando ela deveria ser superior a 80%. Os especialistas ouvidos pelo jornal espanhol defendem que o país deveria ter adquirido kits para análise usando a técnica da reacção em cadeia da polimerase (PCR), em vez de análises aos anticorpos. Os primeiros detectam o material genético do próprio vírus e são, de resto, os kits adquiridos por, entre outros países, Portugal.

O coordenador de Emergências do Ministério da Saúde, Fernando Simón, confirmou esta quinta-feira que a Espanha realiza diariamente entre 15 mil e 20 mil testes de PCR, referindo que os kits adquiridos serviriam para aliviar os laboratórios de microbiologia, que operam nos limites da sua capacidade.

Não se sabe ainda quanto é que o Governo espanhol pagou à empresa pelos testes defeituosos.