Prolongamento do ano lectivo “não será dramático” no ensino superior

Politécnico já estavam a trabalhar num cenário de prolongamento da suspensão das aulas presenciais até ao final do semestre. Próximo ano lectivo pode começar mais tarde para permitir terminar o actual sem sobressaltos.

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paulo pimenta

A suspensão das actividades presenciais nos estabelecimentos de ensino superior pode prolongar-se para além das férias da Páscoa, o que implicará mexidas no calendário académico do ensino superior. O próximo ano lectivo pode também ter que começar mais tarde para permitir terminar o actual sem sobressaltos. A situação “não será dramática”, garantem os responsáveis do sector, que até já estavam a trabalhar num cenário de que todo o segundo semestre fosse realizado em regime de ensino à distância. 

Os politécnicos “já estavam a trabalhar num cenário de prolongamento” da suspensão das aulas, explica o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos, pelo que a afirmação do primeiro-ministro, admitindo que a suspensão das aulas presenciais pode ir “muito além” das férias da Páscoa “não surpreende”. Essa é mesmo “a posição mais avisada” neste momento, defende.

Por exemplo, no Instituto Politécnico de Setúbal, que Dominguinhos lidera, foram dadas indicações aos docentes para prepararem todo o semestre em regime de ensino à distância, antecipando que as aulas presenciais podem não ser retomadas até ao final do ano lectivo. Outras instituições de ensino superior estão também a contactar os alunos no sentido de antecipar o prolongamento desta situação excepcional.

Apesar de as aulas continuarem, ainda que à distância, a suspensão das actividades presenciais vai implicar alterações no calendário lectivo, incluindo os períodos de exames e os prazos para estudantes de doutoramento ou mestrado entregarem as suas teses. Pedro Dominguinhos propõe com uma “flexibilização” de datas: “Veremos o que será necessário, mas pode ser um mês, ou dois meses.”

“É tudo recuperável”, concorda o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), Fontainhas Fernandes, que é pessoalmente favorável à criação de uma época de exames especial para os estudantes do ensino superior, a realizar provavelmente em Setembro, de modo a garantir que nenhum aluno chumba em resultado de um ano lectivo atípico. Os reitores das universidades públicas reúnem-se esta quarta-feira para analisar os impactos que a covid-19 está a ter sobre o sector.

Um eventual prolongamento deste ano lectivo, poderia “ser compensado” no próximo ano, com um arranque mais tardio do que o habitual mês de Setembro, afirma Fontainhas Fernandes. A acontecer, “não será dramático”, defende Pedro Dominguinhos. A actual geração de estudantes não está habituada a inícios do ano lectivo mais tardios, mas não seria a primeira vez que o mesmo aconteceria. Em 1989/90, por exemplo, as aulas nas universidades e politécnicos apenas começaram em Janeiro de 1990, em resultado de uma greve de professores.

Os pais, directores e estudantes do ensino obrigatório já se mostraram favoráveis a um adiamento dos exames nacionais, que deviam começar, a 15 de Junho. Uma alteração nas datas dos exames do ensino secundário implica também mudanças no calendário de acesso ao ensino superior. No final da semana passada, o presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, João Guerreiro, tinha dito ao PÚBLICO que a situação “está a ser discutida”, sendo “ainda prematuro” apresentar soluções.

Esta terça-feira, após as declarações do primeiro-ministro, aquele responsável informou que a situação não sofreu qualquer evolução. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior não comenta, para já, a situação.