Porque é que algumas pessoas com covid-19 têm complicações pulmonares graves?

Cientista dos Estados Unidos diz ter uma explicação para os casos de complicações pulmonares graves nos doentes com covid-19.

Ilustração do novo coronavírus SARS-Cov-2
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Ilustração do coronavírus SARS-Cov-2 Reuters

Um cientista do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual do Louisiana (nos Estados Unidos) sugere uma possível explicação para as complicações pulmonares graves que são apresentadas por alguns doentes com covid-19. Num artigo publicado na revista científica Journal of Travel Medicine, James Diaz refere que a resposta poderá estar em certos fármacos recomendados para doentes cardiovasculares. Mas avisa: essas pessoas não devem deixar de tomar essa medicação.

O novo coronavírus SARS-Cov-2 liga-se receptor chamado enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2, na sigla em inglês), que é um receptor predominante no aparelho respiratório inferior e torna assim possível que o vírus chegue aos pulmões.

Como se sabe que inibidores da enzima de conversão da angiotensina e os antagonistas dos receptores da angiotensina são fármacos recomendados a doentes cardiovasculares, James Diaz fez experiências com modelos animais para saber se havia uma relação entre eles e as complicações pulmonares graves em doentes com covid-19, refere-se num comunicado sobre o trabalho.

Resultado: depois de infusões intravenosas de inibidores da enzima de conversão da angiotensina nos modelos animais, houve um aumento de ACE2. O cientista também teve em consideração análises a 1099 doentes com covid-19 na China. Essas análises mostram que os casos mais graves da doença ocorreram em doentes com hipertensão, diabetes ou doença renal crónica – e que tomavam os tais inibidores.

James Diaz considera então que, como tomam os inibidores, esses doentes terão um maior número de receptores que se podem ligar às proteínas do vírus e estar assim em maior risco de terem uma forma mais grave da doença. 

Mesmo assim, assinala que se devem interpretar estes resultados com cautela e os doentes não devem parar de tomar esses fármacos, mas “devem evitar multidões, cruzeiros, viagens aéreas longas e todas as pessoas com doenças respiratórias, para que o seu risco de infecção seja reduzido”. Além disso, recomenda que se deverão fazer mais estudos a doentes com covid-19 para se confirmarem estes resultados.

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