BE lança plataforma para recepção de denúncias de abuso laboral

Com a pandemia de Covid-19, os partidos também se adaptam a novas formas de comunicação e de fazer política à distância. Mas prometem não baixar a guarda na oposição.

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As visitas presenciais foram praticamente suspensas Rui Gaudencio

O Bloco de Esquerda vai lançar nos próximos dias uma plataforma para a recepção de denúncias, de casos de abuso, de despedimentos arbitrários e outras situações de “irresponsabilidade social” por parte das empresas em relação aos trabalhadores. 

A notícia foi avançada pelo deputado Jorge Costa à Lusa e destina-se a "todos os casos de irresponsabilidade social das empresas que deixam as pessoas, que já são vulneráveis por serem precárias, em situação de ainda maior vulnerabilidade no quadro de uma pandemia”, revelou.

A medida faz parte do conjunto de alterações de métodos de trabalho por causa da pandemia covid-19, mas que o dirigente afirma que não vai diminuir a intensidade com que o BE faz oposição.

“O BE continua a exercer as suas funções enquanto partido de oposição e continuará a fazer as propostas que acha que são as melhores para que esta crise sanitária - na qual acompanhamos o esforço que está a ser feito pelas autoridades para conter o vírus - não derive numa situação de regresso de uma nova crise social”, assegurou.

Assim, o BE vai “ter intensíssima ajuda pública, só que na internet” e, de acordo com o dirigente, “só em situações muito particulares” é que estarão presentes fisicamente em locais públicos. Exemplo disso mesmo foi a conferência de imprensa de Catarina Martins após uma reunião com a CGTP - também ela por videoconferência - que foi das primeiras entre os responsáveis políticos a ser transmitida unicamente por streaming, sem jornalistas na sala.

Na passada sexta-feira o BE fez uma sessão de esclarecimento virtual sobre as questões do coronavírus em diversas dimensões. “Nessa sessão mais de 20 mil pessoas passaram “por lá” e estiveram 500 pessoas em permanência. Seria um grande encontro em qualquer circunstância”, adiantou.

Na segunda-feira, o deputado José Soeiro promoveu uma sessão “online” de perguntas e respostas sobre a Covid-19 e os direitos laborais. A questão laboral nesta fase de pandemia, aliás, tem sido uma das áreas em relação às quais o BE tem recebido inúmeras queixas, denúncias e perguntas, segundo Jorge Costa, motivo pelo qual o partido tem alertado para “uma vaga de despedimentos” durante esta crise.

“Os serviços do Bloco foram passados a teletrabalho, foram tomadas as medidas do ponto de vista das adaptações tecnológicas para poder ter as principais funções - bases de dados, finanças, serviços administrativos e atendimento - em teletrabalho”, explicou ainda Jorge Costa.

A própria estrutura do BE sofreu adaptações. Também os órgãos políticos do partido passaram a reunir à distância, com recurso às ferramentas digitais que o permitem, reuniões que no caso do secretariado do partido têm sido mais frequentes do que o habitual devido à “situação crítica” do novo coronavírus.

Questionado sobre os desafios de toda estas adaptações, Jorge Costa considerou que “até tem sido fácil": “Somos uma organização bastante ágil na utilização nestas ferramentas. Desde que esta crise se iniciou que começamos a recorrer a elas de uma forma muito mais intensa”, destacou.

Partidos em teletrabalho

Também o PCP adaptou o seu funcionamento à pandemia de covid-19, “observando medidas de prevenção necessárias”, mas diversificou o seu tipo de reuniões, “de forma presencial” e “à distância”, a começar pela direcção do partido.

Área em que os comunistas já procederam a mudanças é no modelo de conferências de imprensa, de forma garantir “a difusão da sua mensagem e de relacionamento” com os “media”. Os comunistas já realizaram uma conferência de imprensa à distância, por Skype (videoconferência) com João Frazão, da comissão política, e em que as perguntas enviadas por escrito pelos jornalistas foram feitas por um assessor.

O tema de base foi o surto epidémico, e Frazão criticou os “despedimentos selvagens” feitos por empresas e voltou a exigir a proibição dos despedimentos neste período.

“Num momento em que os trabalhadores e o povo precisam da sua presença para defender os seus direitos e garantir a resposta à actual situação, o PCP não desertará, como nunca o fez, das suas responsabilidades”, prometem ainda os comunistas.

Por seu lado, o CDS-PP adoptou uma postura de cooperação com o Governo durante a pandemia de covid-19, mas assegura que fiscalizará as medidas tomadas em resposta à doença, que levou o partido a fechar a sede a realizar reuniões por videochamada.

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