Depois de Ana Gomes, também Cândido Ferreira descarta candidatura a Belém pelo Mais

Movimento Associativo Independente – Mais convidou médico para disputar as presidenciais de 2021, mas voltou a ouvir um não.

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Cândido Ferreira protagonizou uma candidadura à Presidencia da Rpública em 2016 Rui Gaudencio

O socialista e médico Cândido Ferreira recusou do convite que o Movimento de Cidadania Independente Mais para protagonizar uma candidatura em nome da cidadania à Presidência da República no próximo ano.

“Entenderam alguns cidadãos, num momento em que por todo o país impera um sentimento geral de orfandade, e perante a indecisão de alguns poderes políticos, sugerir o meu nome para futuros desafios. Trata-se de uma distinção que agradeço, e que muito me honra, mas que só posso recusar”, afirma Cândido Ferreira em comunicado, divulgado três dias depois de o Mais o ter desafiado para liderar uma candidatura presidencial.

Em 2016, o antigo presidente da Federação do PS de Leiria liderou uma “candidatura [presidencial] independente, do povo, com o povo e para o povo, para romper com a política tradicional e sem outras obediências que não sejam o respeito pela lei, pelos princípios e pelos valores consagrados na Constituição da República Portugal”. Desta vez, o socialista, que esteve na fundação do PS de Coimbra, recusou o convite, alegando que “este não é, com certeza, o tempo de nos desviarmos de uma luta heróica pela nossa própria sobrevivência, pessoal e colectiva”. “Os portugueses estão neste momento envolvidos numa luta sem precedentes”, escreve no comunicado a que o PÚBLICO teve acesso.

“Agradeço as inúmeras mensagens de simpatia, bem como os dois ou três avisos cautelares políticos, e não só, que amigos me endereçaram e a quem ontem mesmo dei conta da minha posição”, acrescenta o médico que é considerado o “pioneiro da hemodiálise em Portugal”.

Antes de abordar Cândido Ferreira para ser o rosto de uma candidatura independente a Belém – o que aconteceu nesta segunda-feira –, o Mais falou com outra figura do PS: a ex-eurodeputada Ana Gomes. A abordagem a Ana Gomes foi feita antes de Francisco Assis ter lançado politicamente o nome da ex-eurodeputada socialista no seu espaço de opinião semanal no PÚBLICO, afirmando que “num momento em que o país precisa de um sobressalto cívico-moral a sua candidatura presidencial constitui um verdadeiro imperativo categórico”.

Embora lamentando a indisponibilidade de Cândido Ferreira para ser o rosto de uma candidatura independente a Belém, o Movimento de Cidadania Independente Mais vai esforçar-se por encontrar uma figura que aceite liderar uma candidatura presidencial. “Assumimos o compromisso de disputar todas as eleições – presidenciais autárquicas, legislativas e europeias – e vamos fazê-lo”, afirmou, em declarações ao PÚBLICO, o vice-presidente do movimento.

Disputar as eleições presidenciais significa fazê-lo enquanto movimento e não como partido que está em construção”.

O Mais está em processo de recolha de assinaturas com vista a transformar-se num novo partido político e candidatar-se já no próximo ano aos dois actos eleitorais: presidenciais e autárquicas. “Enquanto partido, o nosso principal objectivo é reforçar o poder independente e, ao mesmo tempo, dar voz à cidadania na Assembleia da República de forma a pugnar pela mudança da lei eleitoral que prejudica os movimentos independentes”, disse Carlos Magalhães.

Até lá, o Mais e funcionará como uma plataforma nacional de apoio a candidaturas de movimentos independentes. “Queremos ter o partido preparado para apoiar os movimentos independentes no que diz respeito às eleições autárquicas, porque quanto às presidenciais não dependem dos partidos”, declarou o vice-presidente do movimento, afirmando que faz todo o sentido haver uma candidatura presidencial de uma área diferente de Marcelo Rebelo de Sousa e de André Ventura”.

Perante a declaração de estado de emergência do país decretada esta quarta-feira pelo Presidente da República, o Mais, que pretende ser mais um partido de causas do que um partido ideológico, suspendeu a recolha de assinaturas. 

A iniciativa de constituir um novo partido partiu do mesmo grupo de pessoas que, em Maio de 2018, esteve na origem do lançamento do Movimento de Cidadania Independente Mais que se extinguirá logo que o partido seja legalizado. Já a decisão de fundar o Mais foi assumida no último fim-de-semana pela direcção do movimento, numa reunião, que decorreu nos arredores do Porto e durante a qual foi criada a comissão instaladora do futuro partido. Joana Amaral Dias é um dos rostos da comissão instaladora, construída por 13 elementos.

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