Coronavírus. Transportes públicos de Lisboa e Porto reforçam limpeza para evitar contágio

Metros de Lisboa e do Porto e empresas de autocarros anunciam reforço da limpeza, especialmente nas áreas de “maior contacto manual”, e medidas de precaução para evitar casos de contágio a bordo.

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Francisco Romao Pereira/ Arquivo

As empresas de transportes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto estão a reforçar a limpeza de autocarros e comboios para fazer face ao novo coronavírus. É o caso da Carris, Metro de Lisboa Transtejo e Fertagus, na capital, e da STCP e Metro do Porto, confirmou o PÚBLICO. A medida faz parte dos planos de contingência destas empresas para evitar a infecção por covid-19 de trabalhadores e clientes.

No caso da Carris, a limpeza, feita todas as noites (tal como já acontecia antes, garantiu fonte da empresa), passou a ter “especial atenção às superfícies mais tocadas, como os corrimãos das portas, as pegas do interior, o contorno superior dos bancos e o contorno do habitáculo do tripulante”, afirma a empresa em resposta ao PÚBLICO.

Foi comprado reagente à base de álcool para a desinfecção mais completa e, caso seja identificado um caso suspeito a bordo, o veículo é recolhido (isto é, regressa à garagem) para ser desinfectado.

Paralelamente, cada motorista terá a bordo um kit “composto por máscara, lenços, toalhitas com base de álcool e luvas” para ser usado quando se suspeitar da presença de uma pessoa infectada a bordo — quer seja o próprio tripulante ou algum cliente. Os motoristas e guarda-freios estão também a receber formação para saber como reagir nestas situações.

No caso do Metro de Lisboa, a empresa afirma apenas que ao “nível da protecção dos clientes” prevê reforçar a limpeza e desinfecção “das áreas físicas de maior contacto manual e mobiliários das estações”, sem especificar que áreas são essas nem de que forma vai ser feita a desinfecção.

Ainda a nível interno, o Metropolitano de Lisboa vai “proceder à distribuição pelos colaboradores que contactam directamente com os clientes de máscaras e de materiais e outros equipamentos adicionais de protecção pessoal, já existentes em armazém”, estando, para esse efeito, atentos às recomendações da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Ainda em Lisboa, a TTSL – Transtejo/ Soflusa, que faz as ligações fluviais entre Lisboa e vários pontos da margem sul, garantiu, em resposta ao PÚBLICO, que vai reforçar os “procedimentos de higienização dos seus vários espaços e locais”. A partir desta sexta-feira, a limpeza e desinfecção do interior dos navios — com especial atenção para varões e corrimãos — vai passar a acontecer várias vezes por dia, “entre as 7h e as 20h”. O mesmo vai acontecer nos terminais fluviais e nas estações, “dando especial atenção às superfícies e equipamentos de maior utilização (obliteradores, torniquetes, máquinas automáticas de venda de títulos) “, com “produtos adequados ao efeito” afirma fonte da empresa. 

Foi criada uma área de isolamento em todos os terminais fluviais, com kits de protecção. Em paralelo, vai tentar limitar as situações de “risco” em todos os contactos com passageiros “como é o caso dos bilheteiros, agentes comerciais e marinheiros”.

Já a Fertagus, que assegura a ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal, admitiu apenas a possibilidade de “ajustes na oferta e no limite a interrupção” do serviço, mas apenas em “caso extremo de absentismo ou orientações da DGS”, afirmou a empresa à agência Lusa. O objectivo é, no entanto, “assegurar a manutenção da circulação dos comboios dentro dos padrões normais”.

STCP pede aos clientes que limitem contacto com motoristas

A Norte, região que soma a maioria dos casos de infecção por covid-19, fonte do Metro do Porto confirma a existência de “acções diárias de limpeza e higienização” desde a semana passada. Antes, a limpeza das estações era feita “quando se justificava” e os veículos eram limpos “dia sim, dia não”.

No “final desta semana ou na próxima”, a empresa portuense conta reforçar essas acções. Paralelamente, irá proceder à impermeabilização das superfícies, para prologar os períodos de protecção.

O Metro do Porto revelou estar a implementar um “protocolo [interno] relativo ao que fazer em presença de casos suspeitos”. O episódio desta segunda-feira, na estação do Bolhão, serve de exemplo: um homem dirigiu-se a um segurança e disse que estava com dificuldades respiratórias. Foi levado para uma área isolada da estação durante quase quatro horas, enquanto o caso era avaliado pela linha SNS24. “A estação estava fechada nessa zona”, revela a mesma fonte. Foi usado um acesso que a empresa já decidiu encerrar devido à fraca procura — em quase 25 mil passageiros diários, apenas 100 usavam aquela saída.

Também a STCP anunciou no seu site um reforço “do programa de desinfecção das viaturas e instalações” e dos locais de isolamento. Na mesma mensagem, anunciou um “reforço no processo de aquisição de produtos de protecção e desinfecção, para uso em caso de necessidade por trabalhadores da empresa”.

A empresa aconselha ainda os utentes a evitarem ao máximo o contacto com os motoristas: a comunicação deve ficar-se pelas informações “não disponíveis através de outros meios” (como a Linha Azul de informação, número 226 158 158). Até para a compra dos bilhetes deve dar-se prioridade ao carregamento do título Andante. “Os passageiros devem, ainda, guardar distância em relação ao motorista”, aconselha a empresa.

O PÚBLICO contactou a CP e a TST - Transportes Sul do Tejo, mas até ao momento não teve resposta.

Viagens ao exterior canceladas e salas de isolamento

As empresas contactadas pelo PÚBLICO revelaram também os planos a nível interno para mitigar as possíveis consequências de infecção pelo novo coranvírus. Quase todas elas incluem uma sala de isolamento, gel desinfectante na empresa e restrição às viagens laborais, especialmente quando têm como destino áreas identificadas pela Direcção-Geral da Saúde como “áreas de transmissão comunitária activa”. As viagens a outros locais estão limitadas às estritamente necessárias.

O Metro de Lisboa informa que “estão a ser implementadas medidas preventivas no que respeita à divulgação da doença e à importância de reforço da higiene” e que foi feito o “aprovisionamento de medicação (…) para profilaxia em caso de exposição da doença”. Algumas empresas, como a Carris e o Metro do Porto anunciaram acções de formação internas com conselhos sobre como reagir se for identificado algum caso suspeito nas redes de transportes.

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