Coronavírus: quais os factores de risco?

Idade, sépsis e problemas de coagulação do sangue são associados a um maior risco de morte por covid-19.

Febre, dificuldades respiratórias e tosse são alguns dos sintomas
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Febre, dificuldades respiratórias e tosse são alguns dos sintomas NFACTOS/FERNANDO VELUDO

A idade, a apresentação de sinais de sépsis e o diagnóstico de problemas de coagulação do sangue durante o internamento são factores-chave associados a um maior risco de morte por covid-19, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira.

Segundo o estudo publicado na revista científica The Lancet, a existência de doenças subjacentes, como tensão alta ou diabetes, e o uso prolongado de ventilação não invasiva também foram factores importantes na morte dos 54 pacientes analisados.

Os investigadores analisaram a evolução da doença em 191 pacientes com idades superiores a 18 anos, em dois hospitais na cidade chinesa de Wuhan, onde foram confirmados os primeiros casos do novo coronavírus. Desses, 137 pacientes tiveram alta e 57 acabaram por morrer.

Os pacientes que tiveram alta eram, em média, mais novos em comparação com os doentes que morreram (52 e 69 anos, respectivamente), uma diferença que, segundo um dos autores, pode justificar-se com a existência de problemas de saúde subjacentes associados à idade.

“Os piores resultados nos idosos podem dever-se, em parte, à fraqueza do sistema imunitário e ao aumento da inflamação associados à idade, que podem promover a replicação viral e respostas mais prolongadas à inflamação, causando danos duradouros no coração, cérebro e outros órgãos”, explica o investigador e médico no Hospital Jinyintan em Wuhan, Zhibo Liu.

Segundo os autores, este é o primeiro estudo que analisa os factores de risco associados a doenças graves em pacientes que morreram ou receberam alta depois de estarem hospitalizados com o novo coronavírus, permitindo uma mais fácil identificação dos pacientes com prognóstico mais reservado no início do internamento.

A investigação permitiu também analisar a duração do período de excreção viral, ou seja, do período de transmissão do vírus que, segundo as conclusões, foi mais prolongado do que os autores antecipavam.

De acordo com os resultados, a duração média do período transmissão do vírus, diferente do período de incubação, foi de 20 dias nos pacientes que sobreviveram. Nos restantes 57 casos, o vírus foi detectável até à morte dos pacientes.

“O tempo de excreção viral não deve ser confundido com outra orientação de isolamento voluntário para pessoas que possam ter estado expostas ao covid-19, mas não tenham sintomas, uma vez que essa orientação se baseia no tempo de incubação do vírus”, explica outro dos autores, Bin Cao, professor na Universidade Capital Medical e médico no hospital China-Japan Friendship.

A transmissibilidade do vírus é, porém, influenciada pela gravidade da doença e, por isso, os autores ressalvam que estes dados podem não se aplicar a todos os doentes, uma vez que dois terços dos sujeitos da análise estavam em estado grave ou crítico, alertando também que a dimensão da amostra pode limitar a interpretação dos resultados.

A investigação permitiu também avaliar a duração de alguns dos sintomas da doença, como a febre (em média, 12 dias), as dificuldades respiratórias (cerca de 13 dias nos casos sobreviventes) e a tosse, que ainda afectava 45% dos pacientes quando estes tiveram alta hospitalar. No caso das mortes, a tosse e as dificuldades respiratórias mantiveram-se até ao fim.

A epidemia de covid-19 foi detectada em Dezembro, na China, e já provocou mais de 3900 mortos. Cerca de 113 mil pessoas foram infectadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram.

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