Opinião

O PS tornou-se cavaquista?

A explicação global para o regresso das “forças de bloqueio” talvez se resuma a um clássico infeliz da história das democracias: a arrogância e a displicência do poder.

Quem diria que as “forças de bloqueio” tão caras à retórica ressentida de Cavaco Silva quando era primeiro-ministro – e que visavam especialmente o então Presidente Soares – estão de regresso pela boca do PS, desde a presidente do grupo parlamentar socialista, Ana Catarina Mendes, até ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, tendo na mira os partidos da oposição ou entidades como o Tribunal de Contas? Que razões oblíquas levam o PS a adoptar uma expressão que, no seu primitivo tempo cavaquista, era entendida pelos socialistas como um mau exemplo de desconforto com a natureza diversa, plural e até conflitual da democracia? Como se explica esta eventual e tão estranha metamorfose do velho cavaquismo no actual socialismo?