Itália encerra escolas e universidades para combater coronavírus

Medida em vigor até 15 de Março. Autoridades dizem que esta semana é crítica para se saber como a epidemia se vai desenvolver. É o país europeu com mais casos do novo coronavírus: 2700 pessoas contaminadas, 107 mortas.

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O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte REMO CASILLI/Reuters

O Governo italiano decidiu esta quarta-feira ordenar o encerramento de todas as escolas e universidades no país a partir de quinta-feira e até 15 de Março. Também está a ser equacionada a hipótese de se proibirem todos os actos públicos e os desportivos terão de ter lugar à porta fechada. Itália é o país europeu com mais infecções pelo novo coronavírus, tendo já registado 107 mortes e mais de 2700 casos. O executivo tenta evitar que a doença se propague mais numa semana considerada como crítica.

A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, depois de se ter reunido com membros do Governo. Poucas horas antes, a ministra da Saúde, Lucia Azzolina, tinha dito que o executivo italiano pediu uma avaliação a uma comissão técnico-científica sobre se os estabelecimentos de ensino deveriam continuar abertos ou ser encerrados temporariamente. De terça-feira para quarta-feira, o número de mortes subiu de 79 para 107 e registaram-se mais de 200 novos casos de coronavírus

“O vírus está a testar seriamente as nossas instalações de saúde e precisamos de impedir que as crianças se juntem”, disse Fabrizio Pregliasco, virologista na Universidade de Milão, citado pela Bloomberg. “Encerrar escolas é uma medida necessária por ajudar a limitar a propagação”, justificou. 

A medida afecta 8,7 milhões de crianças e estudantes, bem como as suas famílias, e pode ser acompanhada por outras ainda mais duras, como o cancelamento de todos os eventos públicos, como sessões de cinema e de teatro, e as provas desportivas a serem realizados apenas à porta fechada. As medidas são justificadas num rascunho de decreto-lei, a que a Reuters teve acesso, que sublinha que “envolvem multidões que não permitem garantir o cumprimento da distância de segurança interpessoal de pelo menos um metro”. 

Os casos registados concentram-se no Norte do país, na região da Lombardia (Milão) e nas regiões vizinhas de Vêneto e Emília-Romana. Porém, têm surgido novos casos noutras partes do país - Roma registou 20 e a ilha da Sicília 18 -, confirmando os piores receios de a epidemia se estar a tornar nacional.

Milhares de pessoas no Norte do país vivem há semanas em quarentena: escolas e universidades encerradas, cinemas e museus vazios e actos públicos cancelados, com os habitantes sem saírem de casa e com as autoridades a impedirem as entradas e saídas das cidades. 

“Ninguém pode ter certezas sobre a evolução da doença. É uma semana importante para se saber o que vai acontecer”, disse em conferência de imprensa Angelo Borrelli, director da Agência de Protecção Civil italiana. A delimitação de uma nova zona vermelha no Norte do país é uma outra medida equacionada pelas autoridades. 

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