Biden vence na Carolina do Sul e ganha novo fôlego nas primárias democratas

A vitória de Biden ocorre num momento crucial para a sua candidatura à Casa Branca, ainda a recuperar dos maus resultados nas primárias do Iowa, New Hampshire e Nevada.

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O ex-vice de Barack Obama ainda tem de provar que possui recursos para expandir a sua campanha nas próximas 72 horas Reuters/ELIZABETH FRANTZ

O antigo vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conseguiu uma vitória clara nas primárias do Partido Democrata na Carolina do Sul, conseguindo dar um novo fôlego à sua candidatura pela nomeação para enfrentar Donald Trump nas eleições presidenciais de Novembro.

“Estamos muito vivos”, disse, visivelmente emocionado. “Há alguns dias, a imprensa e os analistas tinham declarado a minha candidatura morta”, acrescentou, referindo-se à sequência de maus resultados no Iowa, New Hampshire e Nevada.
Biden, candidato da ala centrista do partido, necessitava de um balão de oxigénio antes de enfrentar, dentro de dois dias, a Super Tuesday (super terça-feira), quando os democratas realizam primárias em 14 estado que garantem um terço dos delegados que, na Convenção do partido, escolhem o candidato que vai enfrentar o Presidente nas eleições.

A vitória, com 48,4% dos votos, deveu-se ao forte apoio da comunidade afro-americana — a Carolina do Sul foi o primeiro indicador do comportamento deste eleitorado, que perfaz 60% dos votantes no Partido Democrata neste estado. 
Bernie Sanders, da ala mais progressista dos democratas, e que tem estado no topo das sondagens, conseguiu 19,9% dos votos.

Terça-feira vão a votos estados fortes como a Califórnia, o Texas e a Virgínia, onde Sanders tem feito uma campanha muito agressiva. O senador do Vermont, de 78 anos (Biden tem 77), sublinhou que o resultado na Carolina do Sul não era motivo de preocupação. “Hoje não vencemos. Esta não será a única derrota. Há muitos estados neste país. Ninguém vence em todos eles”, disse perante uma multidão de apoiantes na Virgínia. 

Sanders tem sido recordista na angariação de fundos, enquanto os maus resultados de Biden até aqui fizeram retrair as contribuições necessárias para financiar uma campanha longa e dispendiosa. 

A batalha, prevêem os analistas, trava-se nos próximos dias entre Sanders e Biden, que não hesitou em jogar a “carta Obama” contra o senador que concorre pelos democratas mas é independente. “Elejam um democrata de toda uma vida, alguém que tem orgulho em ser democrata, um democrata Obama-Biden”, disse.

O bilionário Tom Steyer, depois de gastar milhões em anúncios televisivos na Carolina do Sul — mais do que todos os seus adversários juntos —, não resistiu a um novo desaire desistiu. No campo dos bilionários com dinheiro para gastar, Mike Bloomberg anunciou que fará esta noite um discurso de três minutos no horário nobre em duas cadeias de televisão. 

A vitória de Biden pressiona outros candidatos da ala centrista, Pete Buttigieg (8,2%) e Amy Klobuchar (3,2%).