Bolsas afundam com receio do impacto económico do coronavírus

Aumento de casos confirmados em Itália fez alastrar pessimismo nos mercados europeus. Turismo e aviação entre os sectores mais afectados.

Em Milão há transportes públicos vazios e serviços fechados
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Em Milão há transportes públicos vazios e serviços fechados LUSA/MATTEO CORNER

Com o aumento do número de casos de contágio por coronavírus em Itália, as bolsas estão a reflectir os receios de que a nova estirpe viral poderá ser o gatilho para um abrandamento generalizado da economia mundial.

Já não é só a economia chinesa que está a ressentir-se dos efeitos do Covid-19, a evolução da quarta maior economia europeia também está em risco, à medida que sobe o número de casos confirmados e as medidas de contenção do vírus paralisam serviços públicos e empresas no Norte do país.

O governador do Banco de Itália admitiu na semana passada que a situação poderá ter efeitos na procura interna e, esta segunda-feira, a confirmação da mais uma morte por coronavírus de um homem de 80 anos fez afundar a bolsa italiana e alastrar o pessimismo às congéneres europeias.

No final da sessão bolsista desta segunda-feira, a bolsa de Milão caiu 5,43% com perdas generalizadas nos vários sectores.

O sentimento negativo estendeu-se também aos principais índices norte-americanos – pouco depois da abertura da sessão desta segunda-feira, o Nasdaq estava a perder 2,87% e o Dow Jones caía 2,47%, tendo entretanto agravado as perdas para 3,94% e 3,39%, respectivamente.

Neste dia que ficou marcado pela confirmação da sexta morte em Itália, onde há cerca de 220 casos confirmados (dos quais 23 pessoas nos cuidados intensivos), os juros da dívida pública italiana a dez anos continuavam a subir, tal como subiam os receios de que o impacto económico desta crise possa empurrar a economia italiana para a quarta recessão em 12 anos.

As previsões do executivo italiano apontam para um magro crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,6% este ano, depois de a economia ter contraído no último trimestre de 2019.

Na bolsa de Milão, o maior banco do país, o Intesa Sanpaolo chegou a cair cerca de 6,42% e a Salvatore Ferragamo, fabricante de bens de luxo, mais de 9%.

A CNH Industries (a segunda maior fabricante de equipamentos agrícolas do mundo) recuou 8,06% e o grupo de pagamentos electrónicos Nexi perdeu 6,7%.

Num país onde o turismo vale 13% do PIB, a concessionária de auto-estradas e aeroportos Autogrill esteve a desvalorizar 12,5%.

Nas restantes praças europeias o cenário também foi de queda nesta sessão bolsista de segunda-feira.

Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 3,53%. A Mota-Engil liderou as descidas, a cair 5,84%, para 1,51 euros, seguida pela Nos, que desvalorizou 5,8%, para 3,89 euros.

O BCP caiu 5,16% (0,18 euros) e os CTT e a Sonae desvalorizaram 5,01% e 4,57%, para 2,57 euros e 0,78 euros, respectivamente.

O índice de referência espanhol caiu 4,07%, enquanto nas bolsas de Paris e Frankfurt as quedas foram de 3,95% e 4,01%, respectivamente. Em Londres, a queda no fecho foi de 3,34%.

A ABF, companhia alimentar que é também dona da cadeia de vestuário Primark, perdia cerca de 3% com receios de eventuais rupturas de fornecimento de bens fabricados na China.

Sectores como o turismo e a aviação eram dos mais penalizados – para empresas como a EasyJet, a Ryannair, a Air France e a Lufthansa as quedas variavam entre os 7% e os 11%.

Notícia actualizada às 17h41m.

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