CDU da Turíngia tenta acordo para eleger chefe de governo do Die Linke

Liderança nacional do partido de Merkel desautorizou o acordo feito a nível local no estado federado da Alemanha de Leste.

,Ministro-Presidente
Foto
Kai Pfaffenbach/REUTERS

CDU, Die Linke, SPD e Verdes da Turíngia, estado do Leste da Alemanha, chegaram a acordo para eleger, a 4 de Março, Bodo Ramelow, do Die Linke, chefe do governo estadual. Ocupará o cargo até se realizarem eleições antecipadas, a 25 de Abril de 2021. Mas o secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, já rejeitou este acordo, caracterizando-o como “inacreditável”. Afirmou que eleições antecipadas são a única alternativa.

Os democratas-cristãos locais, que desencadearam no início do mês uma crise política ao aliarem-se ao partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) para eleger um candidato dos Liberais (FDP) chefe do governo estadual, impedindo a eleição de Ramelow, pretendem agora agora apoiar um governo com o Die Linke, SPD e Verdes, uma réplica do anterior. Dizem que vão aprovar os orçamentos estaduais até haver eleições.

Ramelow tem garantidos 42 votos e só precisa de mais quatro para ser eleito e ver os seus orçamentos aprovados. A eleição será por voto secreto, mas apenas quatro deputados democratas-cristãos devem votar no político do Die Linke. Foi a solução encontrada na sexta-feira, depois de duras negociações, para impedir que a AfD tenha uma palavra a dizer sobre futuras soluções governativas. “Estas são circunstâncias excepcionais. Temos de resolver esta crise em conjunto”, justificou o vice-presidente da CDU da Turíngia, Mario Voigt, citado pela Deutsche Welle.

Mas este acordo vai contra o decidido no último congresso da CDU, o partido da chanceler Angela Merkel: não cooperar de forma alguma nem com a AfD nem com o Die Linke, de esquerda radical. A tensão entre a CDU da Turíngia e a CDU nacional foi uma das razões que levou à demissão da líder do partido, Annegret Kramp-Karrenbauer.

Ao juntar-se à AfD para eleger um chefe de governo local, a CDU da Turíngia abriu pela primeira vez a porta à participação da extrema-direita na formação de um executivo e desencadeou críticas de todo o espectro político alemão. O político liberal Thomas Kemmerich, eleito chefe de governo acabou por demitir-se.