Direcção da bancada do PSD recusa agendar proposta de referendo à eutanásia

Adão Silva defende que tem de haver articulação com a direcção do partido e que uma eventual iniciativa não respeita Rui Rio.

Adão Silva rejeita agendar proposta de referendo
Foto
Adão Silva rejeita agendar proposta de referendo Rui Gaudencio

A direcção da bancada parlamentar do PSD recusa agendar uma proposta de referendo à eutanásia que venha a dar entrada no Parlamento através de um grupo de deputados do PSD por considerar que não foi articulada com a liderança social-democrata. A decisão foi transmitida aos jornalistas por Adão Silva, vice-presidente da bancada do PSD.

“É completamente inaceitável que um deputado ou grupo se proponha fazer uma iniciativa legislativa, com esta dimensão, sem articulação, que é forçosa, necessária e é incontornável, com os órgãos políticos do partido que é a sua direcção do partido”.

Questionado sobre o que fará a direcção da bancada se der entrada uma proposta de referendo, por iniciativa de um ou mais deputados, Adão Silva considerou tratar-se de um “exercício um bocadinho inconsequente”. “Do meu ponto de vista não respeita aquilo que disse o presidente do partido”, afirmou, lembrando que Rui Rio defendeu a liberdade de voto nos projectos que despenalizam a eutanásia e que a questão do referendo era uma “questão política”.

O deputado e ex-líder da JSD Pedro Rodrigues confirmou ao PÚBLICO que pretendia avançar com uma proposta de referendo sobre a eutanásia, contando já com vários subscritores entre os parlamentares sociais-democratas. A iniciativa deve dar entrada na próxima semana. 

Questionado sobre o que fará a direcção da bancada se der entrada uma proposta de referendo, por iniciativa de um ou mais deputados, Adão Silva considerou tratar-se de um “exercício um bocadinho inconsequente”. “Do meu ponto de vista não respeita aquilo que disse o presidente do partido”, afirmou, lembrando que Rui Rio defendeu a liberdade de voto nos projectos que despenalizam a eutanásia e que a questão do referendo era uma “questão política”.

Já noutra declaração aos jornalistas, um pouco mais tarde, Adão Silva assumiu que a iniciativa foi preparada “totalmente à revelia” da direcção da bancada. Mas o autor da iniciativa, o deputado e ex-líder do PSD, Pedro Rodrigues, não se conforma com a decisão anunciada pelo vice-presidente da bancada.

“O meu partido é um espaço de princípios e não de conveniências. É nesse espaço que me sinto bem. Quando o partido passar a ser um local de conveniências convenientes não será mais o meu espaço”, afirmou. O deputado lembra que foi aprovada no recente congresso uma moção que defendia o referendo à eutanásia. “Se o dr. Rui Rio quiser continuar a ignorar o que os militantes afirmam e o congresso aprova, está no seu direito, mas terá a minha profunda reprovação e oposição. O PSD não esta a representar o nosso eleitorado”, acrescentou.

Na TSF, o vice-presidente do PSD David Justino considerou que “este problema do referendo é um problema meramente táctico”. “Não é mau que seja táctico, porque é um recurso como outro qualquer, mas era bom que a evocação e a fundamentação dos argumentos fosse mais bem preparada, principalmente pelo seguinte: fala-se no problema de não aprovar uma lei a mata-cavalos, o que não tem sentido absolutamente nenhum - só se andaram distraídos”, defendeu o social-democrata no programa Almoços Grátis.

Sugerir correcção