Comissão mantém crescimento de 1,7% da economia portuguesa em 2020

Bruxelas manteve a estimativa de crescimento da economia portuguesa em 1,7% para 2020, uma previsão mais pessimista do que a do Governo. Já para o ano passado a Comissão Europeia continua a ser mais optimista, apontando para um crescimento de 2%.

Mário Centeno
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LUSA/MIGUEL A. LOPES

A Comissão Europeia manteve a estimativa de crescimento da economia portuguesa em 1,7% para este ano – duas décimas abaixo das previsões do Governo –, bem como para 2021, de acordo com as previsões económicas de Inverno divulgadas esta quinta-feira.

Bruxelas estimou ainda em 0,4% o crescimento do produto interno bruto (PIB), em cadeia, no último trimestre de 2019, prevendo que esse valor se mantenha nos três primeiros trimestres deste ano, até à subida para 0,5% no último trimestre de 2020.

Relativamente à inflação, a Comissão Europeia reviu em baixa a aceleração dos preços quer em 2020, quer em 2021, actualizando para 1,0% e 1,3%, respectivamente, diminuições em uma décima face às previsões feitas em Novembro.

De acordo com a análise feita a Portugal pelo executivo europeu, nas previsões hoje conhecidas, “é projectado que a procura doméstica permaneça como o maior factor de crescimento no período em análise, ao passo que é esperado que a balança comercial tenha uma influência negativa amplamente estável”.

Já para 2019, Bruxelas manteve a estimativa de 2,0% de crescimento da economia portuguesa, uma décima acima das estimativas do Governo, que prevê que o crescimento do PIB tenha sido de 1,9%, em consonância com as previsões da OCDE, FMI e Conselho das Finanças Públicas. Apenas o Banco de Portugal previu, em Dezembro de 2019, um crescimento de 2,0% da economia portuguesa para o ano passado.

As estimativas de Bruxelas para o crescimento económico deste ano, mantidas face ao projectado em Novembro de 2019, estão em linha com as do Banco de Portugal e do Conselho das Finanças Públicas (CFP).

Apenas o Fundo Monetário Internacional (FMI) é mais pessimista relativamente a 2020, prevendo uma aceleração do PIB de 1,6% em 2020, mas tanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com 1,8%, como o Ministério das Finanças, com 1,9%, estão mais optimistas face aos desenvolvimentos da economia portuguesa.

Para 2021, as previsões da Comissão Europeia, de um crescimento de 1,7%, estão em linha com as da OCDE e CFP, mas o Banco de Portugal (1,6%) e o FMI (1,5%) são mais pessimistas.

Quanto à inflação, Bruxelas refere que a descida de 1,2% em 2018 para 0,3% em 2019, “significativamente abaixo da média da zona euro”, reflectiu “a queda nos preços da energia, incluindo flutuações nos preços do petróleo, mas também várias mudanças regulatórias que afectaram as contas da electricidade”.

“Adicionalmente, a inflação foi atenuada pelos preços de actividades relacionadas com o turismo, sobretudo hotelaria, bem como maiores constrangimentos regulatórios nos preços dos transportes públicos, educação e telecomunicações”, assinala o documento da instituição europeia.

A Comissão destaca que “os preços da habitação continuaram a crescer ao ritmo rápido de 10%” e que, “apesar do crescimento dos salários ser estimado em cerca de 3% em 2019, o seu impacto na inflação permaneceu limitado devido ao abrandamento do crescimento do emprego”.

Para 2020 e 2021, Bruxelas tem em conta “o desaparecimento gradual dos efeitos regulatórios mencionados e o ritmo moderado esperado do crescimento dos salários” para estimar a subida para 1,0% em 2020 e 1,3% em 2021.

As previsões de inflação para 2020 são de 0,5% para a OCDE, 0,6% para o CFP, 0,9% para o Banco de Portugal, 1,1% para o Ministério das Finanças e 1,2% para o FMI.

Em 2021, os preços deverão aumentar 1,0% segundo a OCDE, 1,1% segundo o CFP, 1,2% segundo o Banco de Portugal e 1,3% segundo o FMI.

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