Salvador Malheiro desafia críticos e rejeita ideia de Passos para “união” à direita

Vice-presidente do PSD não acredita que António Costa se demita na sequência da aprovação de uma das propostas de redução do IVA da electricidade que seja alternativa à do executivo.

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Salvador Malheiro com Rui Rio Paulo Pimenta

O vice-presidente do PSD Salvador Malheiro desafiou os críticos de Rui Rio a mostrarem disponibilidade para se candidatarem nas autárquicas de 2021 e considerou que o partido “não conseguirá nada” caso se limite a federar a direita. Sobre uma eventual crise governativa na sequência de uma coligação negativa que aprove a redução do IVA da electricidade, o dirigente social-democrata antecipou que António Costa não vai demitir-se.

Em entrevista ao programa do Porto Canal “Gente que Conta”, que será emitida esta noite, Salvador Malheiro rejeitou o apelo feito há uma semana pelo ex-líder do PSD Pedro Passos Coelho para uma “união à direita”, para concretizar as reformas de que o país precisa, sustentando que o caminho do partido deve ser para o centro.

“O partido deve virar-se para o centro até porque na Assembleia da República tem apenas sete deputados à sua direita e 144 à esquerda”, defendeu, sublinhando que mesmo se conseguisse federar a toda direita, passar-se-ia de “79 deputados (do PSD), mais sete (cinco do CDS, um do Chega e um da Iniciativa Liberal), para 86 deputados”. E questiona-se: “Que reformas poderíamos fazer, o que poderíamos conseguir. Nada!”

Quanto a alianças com o Chega, o vice-presidente social-democrata considerou que “isso nem sequer está em cima da mesa”. Já sobre o CDS-PP, admitiu ser “sempre o parceiro natural”, mas advertiu que se optar por “bandeiras do século passado não terá grande sucesso”.

“O PSD tem tido, nos últimos dois anos, uma linha de rumo que nada tem a ver com a forma de fazer política que o Chega tem feito até agora... Se há coisa de que não nos podem acusar é de não sermos moderados, nós somos moderados”, salientou. “O centro deve ser agora o nosso foco, até porque há gente que não se revê na aproximação do PS ao comunismo e ao trotskismo”, argumentou, na entrevista ao Porto Canal.

Renovação vs. continuidade

Salvador Malheiro classificou o congresso do próximo fim-de-semana como de “consolidação de uma liderança", afirmando esperar que “surjam vozes e opiniões dissonantes da direcção nacional porque só assim o partido poderá crescer”.

O vice-presidente social-democrata e líder distrital de Aveiro disse que “veria com bons olhos uma renovação nos órgãos nacionais” e elegeu como “principal desafio” as eleições autárquicas e a “abertura do partido à comunidade”.

Quanto às eleições autárquicas do próximo ano, Salvador Malheiro convidou os críticos da direcção de Rui Rio, designadamente os adversários nas últimas directas, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, e disponibilizarem-se para o combate político em nome da “união do partido”.

“Em vez de continuarem com aquela erosão ao líder eleito, gostava muito mais que se mostrassem disponíveis para os combates autárquicos nas suas terras, desde que o partido sinta que são os melhores candidatos”, afirmou, depois de se ter queixado do “martírio dos últimos dois anos com conselhos nacionais do PSD que vão ficar para a história como “tentativas de golpes de estado"”.

O vice-presidente do PSD antecipou mesmo como escolhas naturais os autarcas actuais do PSD que ainda podem cumprir um segundo ou terceiro mandato, mas não apontou nomes.

“Naturalmente que aqueles que são presidentes de câmara e que tem oportunidade de ir para o seu segundo ou terceiro mandato, acho que é por demais evidente e lógico que sejam apostas do PSD”, sublinhou.

Relativamente a alianças com o CDS-PP nas autárquicas, Salvador Malheiro disse que “não haverá problema nenhum se forem pontuais” em algumas autarquias, mas garantiu que “um acordo global está fora de questão”.

Coligações negativas

 O vice-presidente do PSD antecipou ainda que o primeiro-ministro não se demitirá se for aprovada a redução do IVA na electricidade e reforçou que o partido votará todas as propostas que não afectem o excedente de 0,2%.

O PSD “não terá nenhum problema em votar a favor” de todas as propostas de redução da taxa de IVA da electricidade de 23% para 6% desde que estejam garantidas “duas premissas”, a de que exista compensação da receita fiscal e desde que não coloque em causa o excedente orçamental de 0,2%, afirmou.

Salvador Malheiro antecipou que o primeiro-ministro, António Costa, está a dramatizar a aprovação da medida, mas não vai deixar cair o Governo. “Claro que não se vai demitir, porque tudo revela que ele está a agir de má-fé, está a criar mais um caso porque, se ele disse aos portugueses que queria reduzir o IVA e ia pedir autorização a Bruxelas, era sua obrigação contemplar essa redução de receita fiscal no próprio orçamento”, sustentou.

Para o vice de Rui Rio, “os portugueses começam a perceber a estratégia de dramatização” do PS. “Penso que caiu a máscara porque todos sabem que o Governo anunciou que era sua intenção reduzir o IVA da electricidade”, argumentou.

Salvador Malheiro insistiu que “o PSD é coerente” porque apresentou no seu programa eleitoral a redução do IVA da luz no sector doméstico de 23% para 6% e agora está a concretizar a medida.

Quanto a possíveis acordos com os partidos da esquerda que tem propostas idênticas, o BE e o PCP, o vice-presidente social-democrata reiterou que o partido votará favoravelmente todas as propostas que não ponham em causa as “duas premissas” traçadas.

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