Taylor Swift teve um distúrbio alimentar e a culpa é da indústria

Cantora norte-americana confessa problemas com alimentação e a sua aparência num documentário biográfico. “É preferível parecer gorda a doente”, diz.

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Reuters/Lucas Jackson
,Taylor Swift: Miss Americana
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Fãs mostram fotografias que tiraram com a artista na estreia do documentário, em Sundance LUSA/GEORGE FREY

Taylor Swift confessa que teve um distúrbio alimentar no documentário Miss Americana, que se estreou no festival de cinema de Sundance na noite desta quinta-feira. A cantora diz que passava fome ao ponto de sentir que poderia desmaiar a qualquer momento, inclusive durante os concertos. O que desencadeou a doença? Os comentários sobre a sua aparência, assim como as fotografias publicadas.

A artista — que foi escolhida pela revista Billboard, no final do ano passado, como A Mulher da Década — conta que lutou contra esse problema durante vários anos. Havia dias em que “morria de fome [e] simplesmente parava de comer”, fazia listas de tudo o que comia e exercício físico, até chegar a um tamanho de roupa pequeno. Contudo, quando alguém a confrontava, negava que tivesse um distúrbio alimentar. “É claro que eu como, mas faço muito exercício”, justificava. “E eu fazia muito exercício, mas não comia”, revela no documentário que vai para o ar no serviço de streaming Netflix, no próximo dia 31.

“Não penso que saibamos o que estamos a fazer, mas acontece gradualmente [emagrecer]. Há sempre um padrão de beleza no qual não encaixamos, porque, se somos muito magros, então não temos o rabo que toda a gente quer; mas se tivermos o peso suficiente para ter rabo, então a nossa barriga não é suficientemente lisa. É, simplesmente, impossível”, conta, citada pelo The Guardian.

Numa entrevista à Variety, nesta quinta-feira, a cantora revela a origem do problema: “Lembro-me de que, quando tinha 18 anos, foi a primeira vez que me vi na capa de uma revista e a manchete dizia: ‘Grávida aos 18?’” À medida que foi emagrecendo, conseguia caber nos tamanhos mais pequenos e, ao receber as felicitações dos produtores de moda ou dos costureiros, sentia-se confortada. 

Agora, Taylor Swift evita julgar o seu corpo e, para isso, pratica o pensamento positivo. “É preferível parecer gorda a doente”, justifica, no filme. A realizadora do documentário, Lana Wilson, elogiou a cantora por ter sido tão sincera quanto aos distúrbios alimentares. “Fiquei surpreendida, é claro. Mas adoro a forma como ela fala, como se estivesse a pensar em voz alta sobre o assunto. Qualquer mulher se revê naquela sequência. Não tenho qualquer dúvida”, disse, citada pela BBC, lembrando que “é muito corajoso” ver alguém que é um modelo para raparigas e jovens ser franco sobre aquela questão.