Deco pede à ASAE para retirar do mercado incensos que podem provocar cancro

Entre os produtos analisados estão os incensos da Zara Home Encens e outras cinco à venda em Portugal.

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A Deco defende que os consumidores estão “perante produtos comprovadamente perigosos”,A Deco defende que os consumidores estão “perante produtos comprovadamente perigosos” Denis Oliveira/Unsplash,Denis Oliveira/Unsplash
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A Deco defende que os consumidores estão “perante produtos comprovadamente perigosos” Navesh Chitrakar/REUTERS

A Deco pediu à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) para retirar do mercado diversos incensos devido aos químicos perigosos que contêm, alguns deles carcinogénicos.

Numa nota enviada às redacções, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) diz que as conclusões das análises feitas aos incensos “continuam a ser assustadoras” e que nada mudou em sete anos, quando foram realizados os primeiros testes a incensos e velas aromáticas.

“Concluímos no sentido de que devem ser retirados do mercado — já apresentámos este pedido à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica. Demos, igualmente, conhecimento à Direcção-Geral da Saúde”, refere a Deco, em comunicado. “São uma mescla de substâncias irritantes para olhos, nariz e vias respiratórias; algumas são reconhecidamente carcinogénicas e outras, pelo menos, suspeitas”, sublinha.

“Acetaldeído, acetona, acroleína, benzeno, etilbenzeno, formaldeído, monóxido de carbono, naftaleno e outros compostos orgânicos voláteis” são alguns dos químicos que a Deco detectou na queima dos seis incensos analisados, substâncias que considera “altamente perigosas”.

Todos falharam na avaliação da presença de contaminantes químicos, segundo a associação, que lembra que todos os incensos testados “são comprovadamente perigosos para a saúde dos consumidores a curto [irritações] e a médio e longo prazos — variando com os períodos de exposição, patologias respiratórias crónicas, doença oncológica”, refere.

“É comum encontrarmos nas embalagens as palavras: ‘natural’, ‘purificante’, ‘seguro’, ‘energia positiva’ — que, de um ponto de vista da segurança dos consumidores e da obrigação da prestação de uma informação verdadeira e comprovável, são absolutamente inadmissíveis”, afirma a Deco. “Some-se, ainda, uma rotulagem insuficiente, com alegações falsas, impressa de forma ilegível e que, verdadeiramente, só contribui para o quadro grave que encontrámos”, acrescenta.

A Deco diz ainda que, nestes casos, os consumidores estão “perante produtos comprovadamente perigosos, que são poluentes do ar interior e cuja utilização deve ser, no mínimo, fortemente desaconselhada”.

A associação nota que, já após o teste que fez há sete anos, alertou os grupos parlamentares para esta questão e que a Comissão Internacional de Normalização produziu normas que contemplam os parâmetros abordados e estabeleceu métodos de análise e tectos máximos de exposição, “mas que carecem, ainda, da regulamentação necessária de modo a que tenham força de lei”.

Entre os produtos analisados que estavam à venda nas várias lojas visitadas pela Deco estão os incensos Zara Home Encens, Green Tree 7 Chakras, Satya Sai Baba Nag Champa Cônes d’Encens e Satya Sai Baba Nag Champa Agarbatti Incense Sticks, Eurescents Sensations e Casa Escape Black Oudh.

Nas velas, a Deco analisou a Yankee Candle, Airwick Anti-tabaco, Kasa Vermelho, A Loja do Gato Preto Vela Verde, Arte Regal Vela Antiolor (Ref. 28395), Glade Relaxing Zen e Casa Wood Rustic.

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