Casas na periferia de Lisboa aumentaram mais de 20% no terceiro trimestre de 2019

O preço das casas continua a subir no centro da cidade, mas as maiores taxas de crescimento estão a instalar-se com força na periferia

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Prédios no Seixal. A Margem Sul do Tejo é cada vez mais procurada Pedro Fazeres

Os agentes imobiliários sempre foram dizendo que o céu não era o limite, e que haveria de chegar um momento em que a escalada da subida do preço das vendas das casas iria abrandar nas cidades de Lisboa e Porto.

A evolução continua positiva, mas, no caso do concelho de Lisboa, já desde o início de 2018 que essas taxas de crescimento têm vindo a abrandar, estabilizando agora na fasquia dos 9% de valorização – no caso do terceiro trimestre de 2019, os aumentos homólogos em Lisboa foram de 9,7%.

Os números mais elevados estão agora nos municípios que fazem a periferia daquele concelho, havendo quatro casos em que as variações são mesmo superiores a 25%: Montijo, Barreiro e Alcochete, na margem Sul do Tejo, e Mafra, a norte de Lisboa.

Estes números foram apurados pela Confidencial Imobiliário, que divulgou os resultados concelhios do seu Índice de Preços Residenciais (IPR) para o 3º trimestre de 2019. O indicador acompanha a evolução dos preços de venda das casas em Portugal Continental, monitorizando 278 concelhos além de apurar os resultados nacionais agregados e demonstra que há 21 municípios em todo o país onde a subida do preço das casas vendidas no terceiro trimestre de 2019 subiu mais de 15%. E, desses 21 concelhos, 15 têm em comum o facto de se localizarem nos mercados periféricos de Lisboa. Os restantes cinco estão na área metropolitana do Porto.

De acordo com a Confidencial Imobiliário, também com fortes subidas de preços estão agora os mercados metropolitanos de Almada, Sesimbra, Amadora, Moita, Seixal, Sintra e Setúbal, por esta ordem com variações homólogas de 24,9% a 20,0%. Com uma subida acima dos 15% incluem-se ainda Oeiras, Odivelas, Vila Franca de Xira e Palmela, mercados onde a valorização homóloga no trimestre se situou entre os 17,7% e os 15,9%.

Na Área Metropolitana de Lisboa, apenas a capital, Cascais e Loures apresentam subidas de preços abaixo desse patamar, este último mercado sendo o único que não supera o ritmo de Lisboa, com uma variação de 6,7%. Em Cascais, a subida ficou em 11,1%.

Na informação divulgada pela empresa especializada em estatísticas do sector imobiliário verifica-se que o arrefecimento ainda não chegou de maneira acentuada à cidade do Porto, apesar de este já ter “perdido” para Matosinhos o epíteto de concelho em que o preço das casas mais aumentou na área metropolitana.

Apesar de haver uma desaceleração em mais de nove pontos percentuais, face aos 32,9% registados em 2018, a verdade é que no terceiro trimestre de 2019 o preço das casas vendidas no município do Porto ainda desenhou um aumento de 23,8%.

Matosinhos, com uma variação de 25%, é agora o concelho da região do Porto com maior subida de preços, mas destacam-se também Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Espinho, todos com variações entre 21,9% e 18,7%. Em Valongo, a subida ficou-se pelo 15,3%. Nos restantes mercados metropolitanos monitorizados pelo IPR, Gondomar registou uma subida dos preços de 14,3%, seguido de Gaia (11,4%) e Maia (10,6%).

De acordo com a Confidencial Imobiliário, e olhando para todo o mercado nacional, a maioria dos concelhos (104, i.e. 37%) apresenta neste trimestre uma subida de preços inferior aos 5%, embora cerca de outro terço (77, i.e. 28%) registe subidas entre os 5% e os 10%.

Um ano antes, no 3º trimestre de 2018, a maioria dos mercados (139, ie. 50%) valorizava entre os 5% e os 10%, e apenas 43 concelhos (15%) tinham valorizações inferiores aos 5%. Nas valorizações acima dos 10%, os 61 concelhos apurados para o 3º trimestre de 2019 comparam com os 90 do mesmo período de 2018 - ou seja, a quota aumentou dos 22% apurados em 2018 para os 32% verificados em 2019.