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Duterte ordena aos militares que preparem repatriamento de filipinos no Iraque e Irão

O Presidente filipino ordenou aos militares que estejam prontos para repatriar mais de sete mil nacionais a “qualquer momento” por a retaliação iraniana ser uma “questão de tempo”.

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Rodrigo Duterte disse estar "nervoso" com a possibilidade de uma guerra no Médio Oriente ROLEX DELA PENA/LUSA

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ordenou aos militares do país para delinearem planos para retirarem “a qualquer momento” os milhares de filipinos que trabalham no Iraque e no Irão. Isto na eventualidade de a tensão continuar a subir e uma guerra irromper entre Washington e Teerão. Também a Coreia do Sul está a analisar planos para fazer sair do país os seus cidadãos. 

“O Presidente Duterte ordenou às Forças Armadas das Filipinas que se preparem para destacar activos militares para repatriar os filipinos que estejam no Médio Oriente, particularmente no Irão e no Iraque, a qualquer momento”, revelou o senador Christopher Lawrence Go, aliado próximo do chefe de Estado e que esteve na reunião em que a ordem foi dada. O Presidente pôs ainda de lado fundos para as operações militares. 

Duterte acredita que a retaliação iraniana pelo assassínio do general Qassem Soleimani, líder da Força Al-Quds, num ataque aéreo norte-americano nos arredores do aeroporto de Bagdad, no Iraque, é apenas uma questão de tempo. “Estou nervoso. O Irão parece querer uma retaliação infernal, o que acho que acontecerá. É uma questão de tempo, o desejo de sangue está lá”, disse esta segunda-feira Duterte. 

As Forças Armadas filipinas já identificaram uma série de rotas aéreas e marítimas para procederem à repatriação dos mais de sete mil filipinos, muitos dos quais trabalham no Iraque (6000) e Irão (1600). No Iraque, entre 1500 a 1800 trabalham em bases norte-americanas, com o Governo a afastar, por agora, a hipótese de repatriação por estarem seguros. Mais de um décimo dos 100 milhões de filipinos vivem e trabalham no estrangeiro. 

Apesar de o país se manter à margem do conflito e de Manila e Washington terem uma relação próxima, o ministro dos Negócios Estrangeiros filipino, Teodoro Locsin, não deixou de frisar que Soleimani era um “grande” general, no que pode ser entendido como palavras de condenação ao ataque norte-americano. “Ele era um soldado, não um terrorista. Era um general, possivelmente um dos melhores dos tempos modernos e nunca tinha perdido uma batalha”, escreveu no Twitter Locsin. “Tem-se como alvo um brilhante general quando ele é imbatível”. 

O governante é bastante polémico no Twitter, onde responde sem pudor a quem comenta as suas publicações, por vezes tecendo ameaças veladas num tom de brincadeira. Questionado sobre se o Governo tinha um plano de repatriação de emergência, Locsin garantiu que sim, que “tem sempre”. “Vamos tirar toda a gente que queira sair para regressar à pobreza nas Filipinas, para que fique a olhar para os seus famintos entes queridos com conversa da treta sobre ser a economia mais dinâmica do Sudeste Asiático”. 

Os comentários não pararam e, questionado por um filipino que está no Médio Oriente sobre se sabia detalhes dos planos, Locsin respondeu que sim, mas com um senão: se lhe contasse, teria de o matar. “Eu sei, mas se lhe contar terei de o matar e a todos com quem entrou em contacto. É confidencial e, como sabe, não tenho escrúpulos sobre estas coisas”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, em referência à conivência do executivo com os assassinatos de consumidores e traficantes de drogas nas ruas filipinas. 

O dilema que as Filipinas enfrentam é transversal a muitos outros países, principalmente aos asiáticos, visto que 40% da população emigrante mundial provém desse continente. As agências estatais da Coreia do Sul já começaram a discutir planos para retirar os seus 1600 cidadãos do Médio Oriente, dos quais 280 vivem no Irão, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano. 

A Índia é outro dos países que se poderão confrontar com operações de repatriação em grande escala ao ter mais de sete milhões de nacionais a trabalhar nos Estados do Golfo. 

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