Rui Moreira critica “avisos tardios” das autoridades em relação às cheias

Presidente da Câmara Municipal do Porto diz que apenas o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, informou a autarquia sobre as cheias do Douro. Cidade registou 296 ocorrências devido ao mau tempo.

Águas do Douro entraram em casas e estabelecimentos comerciais nas duas margens
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Águas do Douro entraram em casas e estabelecimentos comerciais nas duas margens Andre Rodrigues / ARQUIVO

O presidente da Câmara Municipal do Porto criticou esta segunda-feira a actuação da Capitania do Douro, da Protecção Civil e da APDL durante os alertas emitidos nos últimos dias devido ao mau tempo, que provocou 296 ocorrências na cidade.

“Deixar uma nota de preocupação em relação a alguns dos serviços do Estado central, em particular da Capitania, porque os avisos que chegaram foram tardios. Nós não vimos aparecer Polícia Marítima, não vimos aparecer Capitania, a única coisa que vimos foi o capitão do Porto dar uma entrevista às televisões no estúdio, mas essa não é a actuação que nós esperamos e, portanto, pareceu-nos aqui absolutamente desajustada a posição da Polícia Marítima, da Capitania, que tem nesta matéria responsabilidade”, afirmou esta manhã Rui Moreira.

O autarca, que falava na reunião do executivo, no período antes da ordem do dia, lembrou que o Porto viveu nos últimos dias uma situação preocupante, com muita pluviosidade, cheias e o agravamento da agitação marítima, tendo “sempre” recebido “avisos muito tardios, quer por parte da Capitania, quer por parte da Protecção Civil”. Segundo Moreira, apenas o ministro do Ambiente se “preocupou, de facto”, em dar nota do que se estava a passar, sendo que a situação, sublinhou, chegou a ter alguma gravidade.

“Queria também dizer que, no caso da APDL [Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo], também ela muitas vezes preocupada com o seu domínio, esteve mais ou menos desaparecida. Nós tivemos de intervir na Marina do Freixo para retirar um conjunto de troncos e objectos flutuantes que ali estavam a causar graves perturbações e graves danos às embarcações, e isso foi feito pelos serviços da câmara”, observou, louvando o trabalho das equipas municipais, a que se associou o vereador do Partido Socialista Manuel Pizarro.

Já o vice-presidente da câmara, Filipe Araújo, salientou que a capacidade operacional do município é fruto dos investimentos que têm vindo a ser feitos, nomeadamente, no CGI - Centro de Gestão Integrada.

Numa nota publicada esta segunda-feira na sua página oficial, o município refere que se registaram, desde quarta-feira, um total de 296 ocorrências.

Na sexta-feira, devido às condições meteorológicas provocadas pela depressão Elsa, o rio Douro galgou as margens tendo no pico da maré subido 1,20 metros e entrado quase 30 metros pela Praça da Ribeira, no Porto, o mesmo sucedendo do lado de Vila Nova de Gaia.

As águas entraram em casas e estabelecimentos comerciais nas duas margens, tendo a situação melhorado no sábado com a redução das descargas das barragens e a melhoria das condições atmosféricas.

Os efeitos do mau tempo, que se fazem sentir desde quarta-feira, provocaram dois mortos e um desaparecido e deixaram 144 pessoas desalojadas e outras 352 deslocadas por precaução, registando-se mais de 11.600 ocorrências, na maioria inundações e quedas de árvores.

O mau tempo, provocado pela depressão Elsa, entre quarta e sexta-feira, a que se juntou no sábado a depressão Fabien, provocou também condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, bem como danos na rede eléctrica, afectando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil, num balanço feito esta segunda-feira às 10h, disse que o distrito de Coimbra é aquele que ainda causa maior preocupação, apesar de o número de ocorrências ter “baixado significativamente”, esperando-se a redução do leito do rio Mondego nos próximos dias.