Metro do Porto testa duas composições com mais espaço já a partir de Janeiro

Modificações visam permitir uma melhor acomodação de passageiros que viajam de pé. Se for bem acolhida será alargada ao resto da frota dos veículos usados nas linhas mais curtas.

A cerimónia que assinalou os 70 milhões de clientes contou com o Ministro do Ambiente
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A cerimónia que assinalou os 70 milhões de clientes contou com o Ministro do Ambiente LUSA/JOSÉ COELHO

 A Metro do Porto disponibiliza já a partir de 6 de janeiro duas composições com bancos longitudinais para acomodar “mais gente, com mais conforto” e “menos tempo de paragem”. “Trata-se de um projeto-piloto que estamos a desenvolver em colaboração com a ESAD [Escola Superior de Artes e Design]. Teoricamente, a nova configuração destas duas composições permite aumentar quatro lugares, mas o mais importante é a maior capacidade de acomodação, a maior fluidez e menos tempo de paragem, que é importante para a operação”, disse Tiago Braga, presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, numa cerimónia em que a empresa assinalou o facto de ter transportado 70 milhões de clientes em 2019.

Este valor, alcançado quando o ano ainda nem sequer está fechado, representa mais 8,5 milhões de validações e um aumento de 14% face ao mesmo período de 2018. “Um número ainda mais extraordinário se pensarmos que os primeiros estudos relativos ao impacto do Metro do Porto apontavam para que o sistema viesse a ser utilizado, no melhor cenário, por 60 milhões de pessoas por ano”, explica a Metro em comunicado. Pressionado pela procura, principalmente depois da entrada em vigor do Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART), em Abril, a Metro procura forma de aumentar a capacidade de transporte de uma frota que não vai ter novos veículos até 2021. Assim, o presidente da Metro do Porto esclareceu que os dois que vão ser modificados vão servir de teste, sendo intenção da empresa “fazer a alteração para toda a frota de Eurotram”.

Essa alteração mais abrangente, que deixa de fora os veículos do tipo tram-train que fazem serviços mais longos na Linha da Póvoa (B), Maia (C) e Gondomar (F) está dependente, contudo, da reacção dos clientes, que não foi positiva em relação a uma alteração anterior, com desenho diferente do agora proposto. “A mudança aumenta muito a área disponível. Vamos ter mais capacidade de acomodar mais gente com mais conforto. Actualmente, quando nos dizem que há sobrelotação, essa percepção acontece quando o veículo tem uma ocupação de 80%, porque há ocupação incorrecta do espaço disponível”, descreveu.

Tal como o PÚBLICO adiantou, a empresa vai ainda arrancar, em 2020, com o projecto para alterar o término da linha Amarela no Hospital de São João, com vista a aumentar de 11 para 16 o número de “veículos por hora, em hora de ponta" a circular na Linha D (Amarela), acrescentou o responsável. De acordo com Tiago Braga, a intenção é, no fim de 2020 ou início de 2021, fazer aquela obra, que é “relativamente simples”.

Quanto às propostas para as empreitadas da nova linha Rosa, no Porto, e do prolongamento da Linha Amarela em Vila Nova de Gaia até Vila d’ Este, o responsável disse esperar que sejam entregues até 18 de Fevereiro, com a perspectiva de arrancar com as obras em Junho de 2020 e, “até 2023, estar em condições para começar a operação comercial”.

Na companhia do ministro do Ambiente, Tiago Braga destacou o número “absolutamente extraordinário” de transporte de 70 milhões de clientes “desde o início de 2019”, no 17.º ano de operação da empresa. “As melhores estimativas para o melhor cenário apontavam para 60 milhões. Estamos com 10 milhões a mais”, frisou, explicando que este crescimento da procura - sentido por todos os meios de transporte - motivou o pedido de antecipação da entrega das 18 novas composições que vão ser construídas pela empresa chinesa CRRC Tangsthan, por 49,6 milhões de euros, menos 6,5 milhões do que o valor base do concurso público.