Jornalistas da Bloomberg News vão ser barrados nos comícios de Trump

Director da campanha do Presidente acusou a Bloomberg News de parcialidade, depois de os jornalistas deste órgão receberem ordens para não investigarem a vida e os bens de Michael Bloomberg e dos restantes candidatos democratas.

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Michael Bloomberg tem uma fortuna avaliada em 55 mil milhões de dólares Reuters/JOSHUA ROBERTS

A campanha de recandidatura de Donald Trump anunciou esta segunda-feira que não vai deixar entrar nas iniciativas eleitorais os jornalistas da Bloomberg News, detida pelo magnata Michael Bloomberg que disputa a candidatura à presidência pelo Partido Democrata.

Segundo o New York Times, a decisão é uma resposta à decisão da empresa de media de não investigar os candidatas democratas após a entrada de Bloomberg, um dos dez homens mais ricos do mundo, na corrida presidencial.

Impedir a entrada de de certos órgãos de comunicação nos seus actos de campanha não é uma medida nova para Trump: em 2016, o Washington Post, o Politico e o BuzzFeed News banidos, o que abriu uma guerra entre Trump e alguns órgãos de comunicação social, sobretudo os mais próximos do lado democrata.

O director da campanha do Presidente norte-americano, Brad Parscale, acusou a Bloomberg News de parcialidade. Os editores deste órgão de comunicação social deram instruções aos seus jornalistas para evitarem “investigações profundas” a Michael Bloomberg e a outros candidatos do Partido Democrata.

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Declaração assinada pelo director de campanha de Trump TWITTER

Enquanto o magnata foi presidente da câmara de Nova Iorque, a cobertura da vida pessoal de Michael Bloomberg e da sua fortuna também não foi permitida à Bloomberg News.

“Visto que eles declararam a sua parcialidade abertamente, a campanha de Trump não atribuirá credenciais aos representantes deste órgão de comunicação para comícios ou outros eventos da campanha eleitoral”, afirmou Brad Parscale, numa nota de imprensa publicada esta segunda-feira. O director de campanha escreveu ainda que qualquer colaboração com a Bloomberg News será analisada “caso a caso”.

Michael Bloomberg é um dos principais críticos de Donald Trump. Ao longo dos anos, doou vários milhões de dólares para a promoção de políticas da agenda Democrata: controlo de armas, legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, combate às alterações climáticas, legalização da interrupção voluntária da gravidez, entre outras. De acordo com uma fonte próxima do milionário, Bloomberg – com uma fortuna avaliada em 55 mil milhões de dólares – não vai aceitar doações para a sua campanha e se for eleito não vai cobrar o salário atribuído ao Presidente dos Estados Unidos.