Roupa em segunda mão e ao quilo: Lisboa tem uma nova loja vintage

As calças de ganga não chegam aos 20 euros e para uma camisa ainda recebe troco de uma nota de 10 euros. Económica e sustentável, a Flamingos Vintage Kilo quer conquistar o coração e a carteira dos portugueses.

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A loja Flamingo Vintage Kilo abriu em Lisboa Daniel Rocha
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Sara Dorado é uma dos quatro sócias da loja lisboeta Daniel Rocha
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Ao todo existem 34 lojas, em Espanha, EUA e agora uma em Portugal Daniel Rocha
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Há uma colecção de vestidos de noiva e de época Daniel Rocha
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A roupa é toda em segunda mão Daniel Rocha
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Tudo é vendido ao quilo com preços diferentes conforme o tipo de roupa escolhido Daniel Rocha
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A marca faz anualmente modelos que se tornam exclusivos Daniel Rocha
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Além de roupa também há acessórios como malas e sapatos à venda Daniel Rocha
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O objectivo dos empresários é alargar o conceito a outras cidades portuguesas Daniel Rocha

A fruta compra-se ao peso, a carne e o peixe também. Agora também se pode comprar roupa ao quilo na Rua dos Douradores em Lisboa. A Flamingos Vintage Kilo abriu a primeira loja em território nacional. A ideia surgiu por um acaso e tornou-se num império vintage que conta já com 34 lojas em Espanha, nos Estados Unidos e em Portugal abriu a primeira.

O mecanismo é simples: pesam-se as peças, antigas e em segunda mão, e calcula-se o valor (13, 24 ou 39 euros por quilo, dependendo do tipo de roupa). O valor mínimo de compra são sete euros. Por exemplo, se uma camisa for muito leve e custar cinco euros o cliente leva mais uma peça ou tem de pagar sete euros pelo artigo. “É por isso que a roupa é mais barata do que noutras lojas”, explica Sara Dorado, uma das quatro sócias.

Sara Dorado está em Lisboa há mês e meio, mas a paixão pelo mundo vintage é bem mais antiga. Em Badajoz, há oito anos, abriu a sua primeira loja com este conceito. “O vintage é uma filosofia de vida. As pessoas que compram vintage pensam de forma diferente e não apoiam o consumismo”, explica a empresária.

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Foi nesse contexto que conheceu Daniel Martinez, o fundador da Flamingos Vintage, que além de vender a retalho também é fornecedor de outras lojas. Para Martinez tudo começou com uma pequena loja de roupa vintage em Barcelona, onde o negócio não prosperava. O empresário decidiu então escoar material ao vendê-lo ao quilo. O sucesso foi tal que, dez anos depois, são 34 lojas em três países.

A jovem empresária juntou-se com três amigos e trouxeram para Lisboa o conceito. Com porta aberta há três semanas, Sara Dorado garante que já pode falar em “clientes habituais”. Para já, os fregueses dividem-se entre portugueses e turistas. “Nós gostávamos de ter mais clientes portugueses. É por isso que aqui estamos, adoramos Portugal e a sua cultura daqui”, sublinha Dorado.  

Calças Levis, gravatas Hermès e vestidos de noiva

São raras, mas existem algumas peças com preço fixo, “porque são mais especiais”, explica a empresária. Uma gravata Hermès, um saco Dior e um cachecol Fendi são alguns dos exemplos. Os casacos de cabedal também têm preço tabelado e são as peças mais caras da loja, rondam os 99 euros.

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A Flamingos Vintage também tem uma colecção própria que visa combater o desperdício. Com as peças de roupa que não estão em condições de ser vendidas, a marca fabrica casacos bomber com os materiais reciclados. São feitos dez casacos de cada modelo, que depois são distribuídos por todas as lojas, logo, é “exclusivo” ter um, defende a empresária. Os preços destas peças variam entre os 80 e 90 euros.

É possível formar um guarda-roupa apenas com peças vintage. Umas calças de ganga custam entre 16 e 17 euros. As camisas não chegam aos 10 euros e as camisolas de malha não cruzam a barreira dos 20 euros. Se mesmo nas lojas de fast fashion um casaco de Inverno pode ultrapassar os 50 euros, aqui é possível encontrar vários modelos por menos de 30 euros.

Ao fundo da loja, está um dos expositores que mais chama a atenção dos curiosos: vestidos de noiva e de época. Sara Dorado acredita que só serão comprados para cinema ou produções televisivas. 

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Entre as peças mais antigas da Flamingos Vintage estão os vestidos com pedraria, muitos deles dos anos 1960. Sara Dorado identifica um que diz ser ainda mais antigo: “Podemos saber o ano da peça pelo estilo e corte que tem. O corte da cintura foi depois mais tarde. Antigamente as mulheres não podiam marcar a cintura.”

Nas redes sociais vão seduzindo os mais curiosos com publicações diárias onde montam coordenados com peças da loja e mostram os preços de cada um. Sara Dorado explica que essa tem sido a grande estratégia de promoção do negócio.

Para já, o mundo vintage ao quilo fica em Lisboa mas o objectivo é, nos próximos anos, expandir para outras cidades portuguesas. “Cada vez mais as pessoas consomem vintage”, conclui a empresária.

Texto editado por Bárbara Wong