Há uma app que permite escolher a modalidade e o sítio onde se quer treinar

Em vez de estar preso a uma mensalidade para um único ginásio, o cliente paga mensalmente para treinar em Lisboa, Porto ou noutra cidade europeia onde o Urban Sports Club opere. Já há cem mil adeptos desta plataforma.

,Fotografia
Foto
Sergio Azenha/Arquivo

Ontem apetecia fazer uma aula de ioga, hoje de padel e amanhã de natação; ou, no próximo fim-de-semana o plano é fazer escalada ou uma massagem num spa. Fitness, actividades ao ar livre, desportos náuticos ou de equipa, dança e artes marciais. Há de tudo um pouco na aplicação Urban Sports Club (USC), criada por uma start up germânica, em 2012; que já emprega mais de quatro centenas de pessoas em sete países europeus; e que chegou a Portugal no início do ano, estando em Lisboa e, desde este mês, no Porto. 

“Foi fácil entrar em Portugal, [os portugueses] são muito curiosos”, declara Liz Andrews, responsável da marca pela Península Ibérica. Não foi difícil encontrar parceiros que aderissem à plataforma — cadeias de ginásios, centros de ioga, spas, cerca de 50 no Porto e 200 em Lisboa —; aliás, alguns transitaram da Flexpass, uma start up fundada em Lisboa pela espanhola Patricia Adrover, em 2017, com o mesmo objectivo que a USC e que foi comprada por esta, no início do ano. Aliás, a compra da concorrência é uma das características da empresa alemã fundada por Moritz Keeppel e Benjamin Roth, em Berlim, que em 2015 adquiriram quatro concorrentes locais.

Como funciona a aplicação? Os interessados aderem a um dos quatro programas oferecidos — o programa com o preço mais baixo (29 euros) permite frequentar 72 espaços, em Lisboa, e 2000 em 76 cidades dos outros seis países que fazem parte da rede; o mais caro (129 euros) possibilita a admissão em 200 espaços em Lisboa e 7770 em 79 cidades. Este último propõe ainda massagens e programas de relaxamento.

PÚBLICO -
DR
PÚBLICO -
DR
Fotogaleria
DR

Depois, os clientes decidem o que querem fazer. Quando entram no espaço escolhido passam um QRCode. Por exemplo, a fundadora do espaço The Therapist, em Lisboa, Joana Teixeira, explica que o seu terá sido dos primeiros na cidade a aderir à plataforma e que as pessoas, quando chegam, não pagam nada, limitando-se a passar o código. Mais tarde, é a USC que faz o pagamento. “Os membros pagam-nos a nós e nós pagamos aos nossos parceiros”, resume Liz Andrews.

PÚBLICO -
Foto
Há um QRCode em cada espaço que tem parceria com a Urban Sports Club DR

“Crescemos na casa dos seis dígitos em toda a Europa”, diz a responsável por Portugal e Espanha, quando questionada sobre o número de clientes, sem especificar quantos são em cada país – cerca de cem mil na Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália e Portugal. A USC também está na Holanda, mas com outro nome. 

Sobre a Península Ibérica acrescenta: “Estamos a crescer muito bem. Mais cá do que em Espanha.” Por isso, a intenção é entrar noutras cidades como Braga, Guimarães e descer até ao Algarve. “Queremos também abrir em Coimbra e Aveiro, mas com mais calma”, antecipa. A marca tem ainda a preocupação de recrutar localmente. Para já a equipa portuguesa tem dez pessoas, mas a ideia é aumentar. “Estamos a crescer muito rapidamente e queremos continuar a investir”, sublinha Liz Andrews.

Por cá, as actividades que são mais escolhidas por quem usa a plataforma são padel, ioga, cross fit e boxe. A procura é muito equilibrada entre homens e mulheres. Andrews diz que há estudos que indicam que apenas 6% da população em geral vai ao ginásio, por isso, o objectivo da plataforma é conquistar os outros 94%. A app está pensada para aquelas pessoas que dizem que não gostam de ir ao ginásio, mas que vão, gostam, e depois querem experimentar outras modalidades. “A nossa missão é maior do que vender apenas este produto, é mudar a atitude das pessoas face à actividade física”, conclui.