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Esquerda ganha eleições no estado alemão da Turíngia, frustrando a AfD

Projecções atribuem 30% ao Die Linke, seguido da AfD com 23%. Mas não há uma maioria de governo. Criou-se um quebra-cabeças.

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Bodo Ramelow, do Die Linke, foi reeleito Ralph Orlowski/REUTERS

A esquerda ganhou as eleições no estado-federado da Turíngia, no Leste da Alemanha, com uma vantagem considerável face ao partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD). Estas são as primeiras projecções de resultados para umas eleições em que se concentravam todas as atenções, pois poderiam ser as primeiras, a nível local, em que a AfD ficaria em primeiro lugar.

Se o partido Die Linke (A Esquerda, de esquerda radical), do actual chefe do governo do estado, Bodo Ramelow, teve 30%, segundo projecções feitas pela televisão ZDF, a AfD, obteve 23%, apesar de ser representada na Turíngia por um dos políticos mais extremistas da formação, Björn Höcke - que um tribunal alemão recentemente autorizou a designar como “fascista”. O partido duplicou o número de deputados que tinha na Turíngia.

Os Cristãos Democratas (CDU) de Angela Merkel ficarão em terceiro lugar, segundo a ZDF, com 22,2%, e os sociais-democratas (SPD, que fazem parte da coligação de Governo de Merkel) devem conseguir apenas 8,3% (nas últimas eleições tinham tido 12,4%).

Os Verdes, que até agora faziam parte da coligação de governo, devem conseguir os 5% necessários para entrar no parlamento regional, mas estão mesmo na linha de fronteira. O mesmo se passa com os liberais do FDP.

Nestas eleições, a participação dos eleitores aumentou consideravelmente em relação a 2014: votaram 65,5% dos 1,7 milhões de eleitores, mais do que os 52,7% das últimas eleições.

Só que com estes resultados, a coligação que governou o estado-federado da Turíngia até agora - Die Linke, Partido Social-Democrata, e Verdes como parceiros minoritários - não servirá mais. A CDU e o Die Linke teriam maioria suficiente para governar, mas ambos os partidos já excluíram essa possibilidade. Apesar de Bodo Ramelow não ser um radical, de ser até um pouco atípico no seu partido, o seu rival da CDU, Mike Mohring, não mostrou qualquer vontade de se coligar com ele.

O SPD e a CDU perderam bastantes votos, provavelmente por causa da grande coligação do Governo federal - a CDU tem menos 11,3 pontos percentuais que em 2014, e o SPD menos 4,1. “Ninguém esperava este resultado”, disse Mohring.

Também ninguém mostrou vontade de se ligar a Björn Höcke, uma figura particularmente sulfurosa da AfD, com um discurso profundamente anti-imigração.

Dir-se-ia que Höcke, mais do que seguidores, tem fãs dedicados, admiradores da sua oratória extremista. No seio do partido, no entanto, a influência de Höcke está a diminuir, diz o jornal Tagesspiegel. Ele é a figura de proa da “ala étnica”, que representa cerca de 30% dos membros da AfD, mas não tem assim tanto peso. A Spiegel chamou-lhe “a mascote”.

Ser cabeça de lista nestas eleições pode também ter sido visto como uma armadilha a Höcke: a direcção do partido queria ver este político de 47 anos, ex-professor do secundário, que gosta de usar palavras de ordem que não ficariam mal numa reunião política do velho partido nazi NPD falhar nas urnas, explica o Tagesspiegel. Mas Höcke parece ter-se saído bem.

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