Porsche Holding Salzburg quer tornar Portugal no seu quinto maior mercado

A Porsche Holding Salzburg finalizou a compra da SIVA e da Soauto e manterá os 650 postos de trabalho, garantiram hoje os novos donos das empresas alienadas pela SAG. Nos próximos três anos, meta é voltar a vender 30 mil carros, como em 2017

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Hans Peter Schützinger, presidente executivo da Porsche Holding Salzburg Daniel Rocha

A Porsche Holding Salzburg (PHS) finalizou a compra da Sociedade de Importação de Veículos Automóveis (SIVA) – importadora da Volkswagen, Audi, Skoda e de marcas de luxo como Lamborghini e Bentley. O negócio inclui também a compra de onze concessionários da Soauto. A venda pela SAG ficou finalizada no passado dia 15 de Outubro, segundo anunciado esta segunda-feira, na sede da SIVA, na Azambuja, em conferência de imprensa.

“Estamos muito orgulhosos de concluir esta operação”, disse o presidente executivo da PHS, Hans Peter Schützinger. As negociações decorriam já há dois anos. Em Abril, a construtora automóvel alemã Porsche anunciou pretendia assumir a gestão da SIVA – a principal empresa do grupo SAG – ainda este ano.

Para a PHS, Portugal é um “mercado-chave”, onde a companhia austríaca continuará a desenvolver as áreas da distribuição e retalho (ao contrário de países como França e Alemanha, entre outros, onde a PHS apenas tem unidades de retalho). Segundo Schützinger, “nos próximos três anos”, o grupo pretende atingir o patamar de vendas anuais de trinta mil carros. Também presente na conferência de imprensa de hoje, Pedro de Almeida, o actual co-director geral da SIVA, preferiu contudo não se comprometer com uma data fixa.

Elevar as vendas anuais para 30.000 viaturas colocaria Portugal em quinto classificado no ranking mundial da PHS. Adicionalmente, um dos objectivos a longo prazo do grupo será tornar o mercado português do terceiro maior mercado da PHS.

A última vez que a SIVA chegou a estes números foi em 2017 (30.200 automóveis vendidos), tendo registado em seguida uma quebra de cerca de 10 mil em 2018 (com 20.300 automóveis vendidos). Em 2019, até ao momento, a empresa conta com 18 mil carros vendidos, uma queda de 5% face a igual período do ano passado, segundo Pedro de Almeida.

Referindo-se às quebras de vendas, Pedro de Almeida admite que parte advém da “situação financeira em que estava a SIVA”, mas que grande parte “é intencional”, justifica, pois a marca decidiu “reduzir ou sair de segmentos de mercado menos rentáveis”, como por exemplo o rent-a-car

O presidente executivo da PHS disse ainda que pretendia manter os 650 trabalhadores da SIVA e da Soauto. 

Novas estruturas na SIVA e Soauto

O investimento na SIVA por parte da PHS traz consigo uma nova estrutura da direcção da empresa, uma “gestão a quatro olhos”, algo “inerente” à cultura austríaca, como disse Schützinger.  

Quem estará na direcção da SIVA será então Pedro Almeida, mais direccionado para a área de vendas e marketing, responsabilidade das marcas, digital, marketing estratégico e relações públicas. Ao seu lado, a outra directora-geral, Viktoria Kauffman-Rieger, irá dirigir os serviços partilhados (como recurso humanos, informática, área financeira), o serviço pós-venda e a logística com a PHS.

Quanto à Soauto, a nova estrutura de gestão será liderada por José Duarte e Mario de Martino (igualmente responsável financeiro da SIVA). José Duarte referiu que irão continuar a desenvolver a “actividade em mercados estratégicos, como Lisboa e Porto”.

Aposta na mobilidade dependente da política fiscal

Relativamente aos carros eléctricos, Pedro de Almeida olha para este tipo de veículos como “uma realidade do futuro da indústria”. “Há regras de emissão de CO2 que entram em vigor em 2021, mas numa fase de transição já em Janeiro de 2020” (entretanto foram estabelecidas novas metas para 2030) que não podem ser cumpridas sem o crescimento desta área, avisou.

Inclusivamente, o grupo Volkswagen “tem uma forte aposta em carros eléctricos” defendeu. Porém, segundo o presidente executivo da PHS, a aposta da electrificação em Portugal “depende da infra-estrutura do país e dos benefícios fiscais” que haja. “Temos que forçar esta causa”, disse.