Catarina Martins diz que PS nunca quis assinar novo acordo

Ao Expresso, a líder do Bloco de Esquerda defende que as reuniões que os socialistas tiveram com os partidos à esquerda e com o PAN serviram para “não frustrar as expectativas dos portugueses” em relação à repetição de uma “geringonça”.

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O PS recusou a proposta para um acordo escrito um dia depois de se ter encontrado com o Bloco Pedro Fazeres

Em entrevista ao Expresso neste sábado, a líder do Bloco de Esquerda (BE) diz que o PS “não quis” assinar os papéis de um acordo, apesar das reuniões que fez com os partidos à esquerda depois das eleições. Catarina Martins afirma que os socialistas já sabiam à partida que o PCP não queria formalizar um documento escrito para a legislatura, criticando a argumentação de Carlos César que garantiu que só não havia acordo porque os comunistas não o queriam.

Catarina Martins recusa falar em encenação por parte do PS, mas defende que as reuniões que os socialistas tiveram com os partidos à esquerda serviram para “não frustrar as expectativas dos portugueses” em relação à repetição de uma “geringonça”. Fala também na possibilidade dos socialistas quererem negociar “mais à direita”.

Em relação a futuras negociações com os socialistas fala em três áreas “complicadas": alterações na lei eleitoral, revisão das carreiras especiais da função pública e as questões do investimento. Sobre o novo Governo diz que o que define um executivo “são as políticas, muito mais do que as pessoas”. 

Catarina Martins diz também que na última semana não houve qualquer encontro entre o PS e o Bloco de Esquerda, mas por “dificuldades de agenda” por parte dos socialistas. Os socialistas e bloquistas tinham uma reunião marcada para a última terça-feira, mas PS cancelou reunião porque BE queria discutir Orçamento do Estado e PS o programa de Governo. As reuniões técnicas sobre o Orçamento do Estado de 2020 devem ter lugar depois de o novo Governo tomar posse.

O Bloco de Esquerda foi o terceiro partido mais votado nas eleições legislativas, mantendo o grupo parlamentar com os 19 deputados que tinha na anterior legislatura.