Acordo entre Pence e Erdogan para cessar-fogo de cinco dias na Síria

Trégua tem como objectivo levar à retirada de forças curdas de faixa de 32 quilómetros até à fronteira com a Turquia.

Leon Panetta
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O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, anunciou esta quinta-feira um acordo com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para uma suspensão da incursão turca no Norte da Síria, que durará cinco dias, durante os quais espera a retirada das tropas curdas.

Uma fonte do lado turco expressou contentamento: “Conseguimos exactamente o que queríamos”. O Presidente americano, Donald Trump, escreveu no Twitter: “Óptimas notícias vindas da Turquia! Vão ser salvas milhares de vidas.”

“Haverá uma pausa durante 120 horas enquanto os Estados Unidos supervisionam a retirada das YPG [a unidade curda dentro das Forças de Defesa Sírias] e a Turquia compromete-se então a um cessar-fogo permanente”, disse Pence aos jornalistas em Ancara, depois de mais de quatro horas de reunião com responsáveis turcos.

Um responsável turco disse à CNN turca que os “terroristas”, como Ancara chama aos combatentes curdos (que, antes, ajudaram a afastar o Daesh do território), iriam, dentro de cinco dias, retirar-se de uma zona de 32 quilómetros entre a Turquia e o território controlado pelas Forças Democráticas Sírias [FDS]. A operação militar lançada pela Turquia com recurso a milícias árabes com elementos expulsos de cidades na zona pelos curdos “compensou”, disse ainda o responsável.

Em troca, os EUA comprometem-se a levantar sanções à Turquia.

A operação da Turquia causou preocupação na maioria dos países europeus, que suspenderam a venda de armas à Turquia (uma decisão sobretudo simbólica), com relatos de crimes de guerra pelos mercenários que combatem em nome dos turcos, como execuções sumárias de curdos. Morreram 300 combatentes curdos e mais de 200 civis, e foram deslocadas mais de 160 mil pessoas.

Também nos EUA, o posicionamento de Trump em relação a Erdogan - com uma aparente “luz verde” dos EUA a uma acção contra os curdos, aliados dos EUA na luta contra o Daesh - foi criticada até por republicanos. 

Trump, soube-se entretanto, escreveu uma carta a Erdogan onde o ameaçava de “destruir a economia turca” e lhe pedia para não ser “parvo”. A carta, enviada três dias depois do telefonema entre Trump e Erdogan em que o Presidente turco informou o Presidente americano dos seus planos, e este parece ter concordado, foi divulgada na quarta-feira. Na carta, Trump acrescentava que Erdogan ia ficar na história “favoravelmente” se fizesse “as coisas da maneira certa e humana”, mas seria considerado “o diabo” se “isto não acabar bem”.

Segundo disseram fontes da presidência turca à emissora britânica BBC, Erdogan “recebeu a carta, rejeitou-a e deitou-a no lixo”. Não houve nenhum comentário oficial da Presidência à carta ou à notícia da BBC.

Esta quinta-feira, Trump defendeu o acordo dizendo que “há três dias, nunca teria sido possível”.