FC Porto voltou aos lucros na última época

“Dragões” registaram lucro de 9,5 milhões de euros. Na época de 2018-19, os portistas arrecadaram perto de 81 milhões de euros em prémios da UEFA.

Estádio do Dragão
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O FC Porto voltou aos lucros: no exercício financeiro relativo à temporada 2018-19, os “dragões” registaram um lucro de 9,5 milhões de euros. NELSON GARRIDO / PUBLICO

Depois de um prejuízo de 28 milhões de euros em 2017-18, o FC Porto voltou aos lucros: no exercício financeiro relativo à temporada 2018-19, os “dragões” registaram um lucro de 9,5 milhões de euros. As contas foram apresentadas, na manhã desta quinta-feira, no Estádio do Dragão, pelo administrador da SAD portista para a área financeira, Fernando Gomes, que relembrou as imposições do fair-play financeiro da UEFA. “A situação actual é confortável”, começou por dizer Fernando Gomes, deixando a garantia de que os “dragões” cumpriram sempre o que negociaram com a federação internacional.

Apesar das restrições financeiras, foi precisamente da UEFA que chegou a maior fonte de receitas para o FC Porto: em 2018-19, os portistas arrecadaram quase 81 milhões de euros na Liga dos Campeões, fruto da boa fase de grupos (cinco vitórias e um empate) e da passagem aos quartos-de-final da prova. As receitas dos direitos de transmissão também registaram uma subida: o contrato assinado em 2015 com a MEO, avaliado em 457,5 milhões de euros e válido por dez anos, começou a ser registado nas contas do clube, e os “dragões” registaram aproximadamente 43 milhões de euros de receita nesta alínea, face aos 23 milhões do anterior exercício.

No capítulo das despesas, os custos com o pessoal sofreram o maior aumento, subindo de 78,9 para 91,6 milhões de euros. Fernando Gomes deu três justificações para este acréscimo: as rescisões de alguns contratos com os jogadores que implicaram indemnizações; a actualização dos salários do plantel e equipa técnica pela conquista do campeonato na época 2017-18; e, por último, os prémios atribuídos ao plantel pela passagem aos “oitavos” da Liga dos Campeões na época transacta. 

A FC Porto SAD é, em relação a 2017-18, uma empresa menos valiosa (redução do activo total líquido em 52 milhões), mas também está menos endividada, num ano em que contraiu um empréstimo obrigacionista de 35 milhões. Mesmo assim, os portistas reduziram o passivo em 56 milhões, cortando na dívida de outro empréstimo obrigacionista de no passivo não corrente. A dívida total situa-se agora em 408 milhões de euros. O capital próprio continua a ser negativo (34,8 milhões). 

Vendas obrigatórias no fim da época

A eliminação precoce do FC Porto da Liga dos Campeões na presente temporada será um desafio financeiro para o futuro próximo. Fernando Gomes admite que até ao final da época desportiva, o clube terá de vender jogadores. “Se temos de fazer mais-valias com a transferência de jogadores no final da época? Sim”, disse o administrador. 

Dadas as regras do fair play financeiro da UEFA, a SAD não pode voltar aos prejuízos. Mesmo com essa particularidade, Fernando Gomes garante que o objectivo máximo passa por garantir o sucesso desportivo da equipa. “Teria sido muito fácil, em épocas anteriores, melhorado substancialmente os resultados financeiros se tivéssemos posto em causa a competitiva da equipa. O objectivo fundamental da SAD e do presidente é ter uma equipa que permita ter sucesso desportivo. A equipa é sempre formatada para ter sucesso desportivo e, simultaneamente, enquadrar essa competitividade com as normas do fair play financeiro da UEFA”, prosseguiu. 

Sem as receitas da Champions, os responsáveis estimam que o clube terá de encaixar 65 milhões em vendas de jogadores, algo que não terá necessariamente de acontecer já no próximo mercado de transferências.

“Em 27 edições da Liga dos Campeões desde 1992-93, o FC Porto só não participou em quatro. É um constrangimento acrescido de que não estávamos à espera, posso admitir. Não há nenhuma pressão em resolver o que quer que seja em Janeiro, só a 30 de Junho. Vamos ter esta situação perfeitamente acautelada”.